Republicanos criam impasse para aprovação de plano de Bush

Membros conservadores da legenda se opõem ao uso de dinheiro público no pacote de US$ 700 bilhões

Agências internacionais,

25 de setembro de 2008 | 20h49

Após o anúncio de acordo para aprovação do pacote de USS 700 bilhões à economia americana, congressistas conservadores do Partido Rebublicano afirmaram que não irão apoiar o plano. John Boehner, líder republicano na Câmara, disse à rede CNN que eles "não concordaram em nenhum acordo neste momento". O candidato republicano à Casa Branca, que também ainda não aprovou o pacote, declarou que já sabia da oposição de alguns membros da legenda. "Nunca houve um acordo", disse. Já o democrata Barack Obama afirmou que "eventualmente" o acordo será alcançado.    Veja também: Às vésperas de debate, McCain não confirma participação Haverá crise séria se pacote não for aprovado, diz Bush Obama e McCain farão comunicado conjunto sobre crise Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA  Entenda a crise nos EUA    No encontro sem precedentes, que durou aproximadamente uma hora e contou com a participação de John McCain e seu rival democrata Barack Obama, importantes republicanos demonstraram sua oposição a um princípio de acordo alcançado por um grupo de líderes das duas legendas, o que os obrigará a continuar negociando. Eles se opõe ao uso do dinheiro público no pacote.   As autoridades financeiras do governo Bush se encontrarão com líderes do Congresso ainda nesta quinta-feira para tentar retomar as negociações. Dodd anunciou que se encontrará com Henry Paulson, secretário do Tesouro, e com Ben Bernanke, presidente do Fed, para tentar trazer o pacote de "volta aos trilhos."   Nos últimos dias, Bush tenta pressionar os congressistas para a aprovação de seu pacote. "Vamos entrar em uma crise econômica séria no país se não aprovarmos uma legislação", disse o presidente à imprensa nesta quinta, antes do início de uma reunião. Na quarta, ele fez um discurso ao vivo na televisão americana alertando para os riscos que o país corre se a medida não passar no Congresso.   Para McCain, a reunião foi válida "para fazer o processo avançar". O candidato democrata, por sua vez, destacou que "ainda é algum trabalho que precisa ser feito". "Acho que teremos algumas discussões entre o presidente [do Tesouro], secretário Henry Paulson, a Câmara Republicana e alguns senadores republicanos para descobrir exatamente o que eles querem adicionalmente para fazer isso funcionar", afirmou Obama.   'Resgate a McCain'   O senador democrata Christopher Dodd, presidente do Comitê Bancário do Senado, declarou que complicações fazem o pacote parecer mais como um "plano de resgate para John McCain [candidato republicano à Casa Branca]" do que um sistema financeiro para o país, informa o jornal The New York Times.   Em alusão à crescente revolta da Câmara Republicana ao plano de Bush, Dodd disse que não é bom "ser distraído por duas ou três horas de teatro político". A não aprovação de McCain ao pacote contradiz as posições políticas que ele sustentou por anos, aponta o New York Times.   Na mesma linha, depois do fim da reunião dos legisladores desta quinta-feira, o senador republicano Richard Shelby reiterou que ainda não havia um consenso. "Há um monte de opiniões", destacou.   Agora, segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, os líderes do Congresso terão que continuar reduzindo suas diferenças para tentar chegar a um acordo sobre a proposta do governo. A proposta consiste em autorizar o Tesouro a comprar dívida de má qualidade dos bancos no total de US$ 700 bilhões.   "Há um claro sentido de urgência e um acordo sobre a necessidade de estabilizar os mercados, e prevenir uma crise financeira em massa que afetaria todo o mundo nos Estados Unidos", disse Perino, depois da reunião realizada na ala oeste da Casa Branca. Agora, os "membros do governo e os líderes do Congresso continuarão trabalhando juntos para elaborar um projeto que nos permita enfrentar este problema o mais rápido possível", acrescentou, em comunicado.   Horas antes, um grupo de líderes democratas e republicanos tinha anunciado que haviam chegado a um princípio de acordo sobre o plano de resgate financeiro, e delinearam o que deveria incluir o programa final. Desta forma, propuseram dividir o plano de resgate financeiro em várias fases, de modo que o Tesouro não obteria os US$ 700 bilhões de uma vez só, mas o Congresso poderia reter uma parte se não ficasse satisfeito com o desempenho do programa.   Debate   A ausência de um acordo deixa no ar o primeiro debate Presidencial que deve ocorrer na sexta-feira, 26, no Mississipi entre Obama e McCain. O candidato republicano quer cancelar o debate se antes não se chegar a um acordo no Congresso sobre o pacote de medidas contra a crise.   A campanha de McCain, no fim da tarde desta quinta-feira, reiterou que "ainda não foi tomada uma decisão ao respeito", enquanto Obama disse à CNN que achava "muito importante" que os dois se encontrassem na sexta-feira.

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