Republicanos tentam não se mostrar como partido no poder

Assim como democratas, John McCain promete levar mudança a Washington; legenda se afasta de Bush

The New York Times,

05 de setembro de 2008 | 17h36

Um amigo de John McCain descreveu o candidato republicano à Casa Branca como um "incansável reformador que irá limpar Washington". Seu rival derrotado na disputa pela indicação do partido disse que ele irá à capital americana para "drenar aquele pântano". Sua colega de chapa afirmou que a missão do senador é "a mudança, um objetivo que compartilhamos". Isso foi dito durante a convenção do partido que está no poder.   Veja também: Na convenção, McCain promete mudança Sarah Palin se compara a pitbull e ataca Obama Galeria de fotos da convenção  Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    Depois das reuniões políticas dos democratas e republicanos nas últimas duas semanas, é fácil confundir-se sobre quem realmente é o lado oposicionista. Quando McCain aceitou a nomeação presidencial da legenda, na noite de quinta-feira, ele e seus apoiadores ecoaram a mensagem dos democratas, dizendo que buscam mudar o governo - mesmo quando é o partido deles que está na Casa Branca.   Isso era parte da natureza de McCain e parte de um cálculo político. Sobretudo, também era parte da história. Pela primeira vez desde 1952, a legenda que está em Washington indicou um candidato que não é o presidente atual ou seu vice - alguém que não está interessado na continuidade, em um momento no qual os republicanos consideram difícil defender sua atuação nos últimos oito anos.   Os esforços para retratar McCain e seu partido como agentes da mudança foram beneficiados com a indicação de Sarah Palin, colega de chapa do senador. Conhecida por assumir os problemas de corrupção e gastos da divisão estadual de sua própria legenda, ela projeta a imagem de alguém que está de fora de Washington, literalmente a 2,8 mil milhas da capital. Se vencer as eleições de novembro, poderá se tornar a primeira vice-presidente americana.   No entanto, é mais fácil concorrer como o partido da oposição se você realmente for parte dos oposicionistas. "Quando o presidente dos Estados Unidos é de seu próprio partido, se apresentar como um agente da mudança não é a coisa mais fácil", declarou Joe Trippi, estrategista democrata. "Tudo que Obama deve fazer é dizer: 'Bush-McCain", continuou.   Isso certamente não foi ouvido durante a convenção republicana nos últimos quatro dias. O presidente George W. Bush cancelou sua viagem ao evento para supervisionar a resposta ao furacão Gustav, e falou aos delegados através de um vídeo exibido na terça-feira, antes da televisão americana começar a cobrir os acontecimentos do dia. Depois que sua imagem apareceu nos telões, nenhum outro que discursou na convenção citou o nome do líder americano durante o horário nobre da noite.   Além disso, um vídeo sobre os ataques de 11 de setembro mostrou republicanos como Rudolph W. Giuliani e Donald H. Rumsfeld, mas não incluiu Bush - cujo governo estava em alta naquela época.   Em seu discurso ao aceitar a nomeação, McCain agradeceu "ao presidente", sem citar seu nome, por dirigir o país "naqueles dias negros" e "nos manter seguros de um outro ataque". Depois disso, ele não fez nenhuma outra referência a Bush, e quando falou sobre o aumento da segurança no Iraque durante o último ano creditou o sucesso "a liderança de um general brilhante, David Petraeus."   Mudança   Os republicanos tiveram pouco a escolher. Para "cada candidato, independente se ele é parte da situação ou um desafiante, uma das missões fundamentais é como se colocar como um agente da mudança", disse Sara Taylor, ex-diretora política na administração Bush. "John McCain tem uma boa base como alguém com estilo próprio para fazer isso", continuou.   Por sua vez, um ex-auxiliar próximo de Bush defende que "convenções são sempre sobre os próximos quatro anos, não sobre os últimos oito". "No final, se você está no poder ou não, a reunião é sobre: 'o que você fará por mim nos próximos quatro anos?'", acrescenta.   Quando a convenção se aproximava, McCain já soava quase como orador de um comício de Obama. "Eu prometo, se você está cansado do modo que Washington opera, apenas seja paciente nos próximos meses", declarou o republicano para seus eleitores no último domingo. "A mudança está chegando!", enfatizou. Ainda assim, ele está melhor posicionado para concorrer do que outros republicanos, devido sua reputação de independência e periódicas trocas de farpas com Bush.

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