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Republicanos usarão escândalos contra Hillary, diz Obama

Pré-candidato diz que rivais não medirão ataques para prejudicar senadora caso seja escolhida pelo partido

Agências internacionais,

07 de fevereiro de 2008 | 11h21

O senador Barack Obama afirmou que os republicanos desenterrarão sujeiras e escândalos da família Clinton com criticas e ataques caso a candidata Hillary Clinton seja a escolhida para defender o Partido Democrata, para que ela seja derrotada nas eleições presidenciais. O pré-candidato e rival da ex-primeira-dama na disputa disse ainda aos representantes da legenda que ele oferece a melhor chance para ganhar a Casa Branca, argumento também apresentado por Hillary.   Veja também: Superdelegados serão decisivos Definição segue caminhos divergentes Corrida eleitoral deve seguir por semanas Veja as imagens da Superterça  Especial eleições americanas  Cobertura completa das eleições nos EUA     Obama e Clinton saíram praticamente empatados das prévias da Superterça, com ele tendo conquistado vitórias em 13 Estados e ela, em oito, incluindo na Califórnia e em Nova York. Com isso, acirrou-se ainda mais a luta pela nomeação presidencial do Partido Democrata e a importância da nova rodada de prévias, nos próximos seis dias.   Durante a entrevista coletiva, Obama mostrou alguns pontos para membros do Congresso e outros líderes do partido que participarão da convenção nacional em que os delegados escolherão o representante para a corrida presidencial. Ele afirmou que os delegados "terão que pensar muito sobre como definir a nomeação quando a população já fez a sua escolha, 'Obama é o nosso cara'".   Questionado sobre o recente comentário de Hillary, afirmando que não permitirá ser transformada em vítima por ataques, Obama disse que é "absolutamente certo que independentemente do democrata nomeado, os republicanos atacarão. A idéia de que a senadora está de algum modo imune dos ataques ou de que não despejarão sujeiras com escândalos na disputa entre ela e John McCain não é verdade."   Hillary, durante a coletiva aos seus apoiadores, afirmou que "se os eleitores começarem a pensar sobre quem seria o melhor presidente, mudar a economia e o melhor nomeado democrata para vencer em novembro", estaria muito confortável com as respostas para estas perguntas.   A ex-primeira dama disse que não há nada em seu passado que ela tenta esconder ou ocultar, incluindo os anos em que ela trabalhou como uma firma de advogados em Arkansas. A senadora cita freqüentemente os seus 35 anos de experiência incluindo serviços "públicos, privados ou não profissionais".   Sobre a disputa com Obama, Hillary disse que está é uma competição "vigorosa entre duas pessoas. Eu acredito que ela se transformou em uma competição entre os dois representantes há cerca de 10 dias. Espero que em novos debates, sejamos capazes de mostrar nossas qualificações, diferenças, contrastes, porque é o que os eleitores buscam agora".   Prejuízos para Hillary   Hillary Clinton, pré-candidata democrata à Casa Branca, afirmou que desembolsou US$ 5 de seu próprio bolso para manter-se na disputa presidencial com o adversário Barack Obama, uma admissão velada de que sua pré-candidatura perdeu a confiança dos financiadores, que estariam preferindo Obama.   A arrecadação da campanha de Obama é crescente: ele obteve cerca de US$ 32 milhões em janeiro, contra menos de US$ 14 milhões de Hillary. Assim, a ex-primeira-dama decidiu, no fim do mês passado, contar com seus recursos pessoais. "Emprestei (à campanha) porque acredito muito nesta campanha", disse ela a repórteres em seu diretório em Arlington, Virgínia, que realiza prévias na próxima terça-feira.   "Tivemos um grande mês de arrecadação em janeiro, quebramos recordes, mas meu rival conseguiu arrecadar mais dinheiro. Queríamos ser competitivos e fomos. Acho que os resultados da noite de terça provaram a sabedoria do meu investimento", acrescentou ela.   Próximos passos   É difícil que qualquer dos candidatos ganhe de lavada alguma das próximas primárias. No sábado votam os Estados de Louisiana, Nebraska e Washington. Na terça-feira, ocorrem primárias em Washington DC, Virgínia e Maryland, onde Obama tem vantagem por causa da grande população negra. Já em Ohio e no Texas, que fazem suas primárias em 4 de março, a senadora está na frente. Os dois também estão de olho nos mais de 700 superdelegados, integrantes do alto escalão do partido que têm direito a voto na convenção. Se Obama e Hillary chegarem até a convenção com número muito próximo de delegados, eles podem decidir a disputa. O comitê de Obama já afirmou que protestará se o establishment do partido for incumbido de decidir o indicado (Terry McAuliffe, coordenador da campanha de Hillary, e o ex-presidente Bill Clinton, seu marido, são superdelegados).   Tecnicamente empatados em número de delegados, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton e o senador Barack Obama preparam-se para uma longa batalha que pode se estender até a convenção nacional democrata, no final de agosto, e ameaça rachar o partido nas eleições presidenciais de novembro. Segundo os resultados da Superterça, Hillary ganhou na Califórnia, Nova York e New Jersey - Estados importantes - e em outras cinco prévias, mas Obama venceu em um número maior de Estados (13) e pode acabar com mais delegados.   "Hillary tem mais ou menos metade do partido em sua coalizão e Obama tem a outra metade", disse ao Estado o estrategista democrata Bill Carrick. O senador fez progressos entre eleitores homens brancos na Geórgia e latinos no Arizona, e Hillary conquistou jovens com educação superior. "Mas a disputa continua polarizada", diz Carrick. A vitória na Califórnia foi importante para Hillary interromper o embalo que Obama vinha ganhando desde as prévias na Carolina do Sul. Mas Obama surpreendeu ao vencer no Missouri, Estado famoso por "antecipar" os nomes dos futuros presidentes.   Analistas e estrategistas independentes acreditam que a próxima rodada de primárias poderá favorecer Obama, principalmente porque o formato da votação no Estado de Washington, que distribui 97 delegados, é de caucus, o que favorece o candidato que tem uma boa organização de base, como tem Obama.   O senador deve se sair bem também na Louisiana por causa da grande população negra, principalmente em New Orleans, ainda às voltas com a recuperação do furacão Katrina. As disputas em Washington, capital, em Maryland e na Virgínia também favorecem Obama em razão da grande comunidade negra nesses Estados. Tad Devine, que foi um importante consultor político de Al Gore, em 2000, e de John Kerry, em 2004, disse que Obama está em vantagem. "Os próximos Estados são um terreno muito bom para ele", afirmou.   Obama também tem uma posição confortável para as primárias de 19 de fevereiro, quando votam Havaí e Wisconsin. O senador nasceu no Havaí e tem o apoio de Jim Doyle, governador de Wisconsin. Em Ohio, no entanto, Hillary, que conta com o apoio do governador Ted Strickland, deve levar a melhor nas prévias de 4 de março. "Ohio é o marco zero do processo eleitoral americano. Esse poderá ser o dia que decidirá a eleição", disse Devine.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e agências internacionais)

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