Resultados de prévias colocam em dúvida candidatura de Hillary

Para analistas, vitória apertada em Indiana mostra que é cada vez mais improvável a nomeação da senadora

Talita Eredia, do estadao.com.br,

07 de maio de 2008 | 12h02

Apesar da vitória apertada de  Hillary Clinton nas prévias democratas realizadas no Estado de Indiana na terça-feira, 6, especialistas acreditam que os resultados colocam em dúvida se ainda é possível que a pré-candidata consiga a indicação democrata. Barack Obama venceu a disputa na Carolina do Norte com uma vantagem de 14% e foi derrotado em Indiana com uma diferença de dois pontos percentuais.   Veja também: Obama ganha força com vitória folgada  Hillary põe US$ 6,4 mi do próprio bolso Os colhões de Hillary Clinton, a lutadora  Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Caravana de Clinton busca votos nos ''grotões'' do país    Para Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da UNESP, Obama saiu favorecido, apesar de não ter levado as duas primárias. Isto porque a frágil vitória de Hillary mostrou que o senador é capaz de conseguir votos do eleitorado da rival, formado principalmente por brancos da classe trabalhadora. A especialista aponta ainda que, durante discurso na terça, Hillary deu sinais de que apoiará a campanha Obama se perder a nomeação. A senadora disse que não importa o que aconteça, o importante é que um democrata seja eleito.   O professor Sean Purdy, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que é matematicamente impossível que Hillary consiga a nomeação pela votação popular e que é pouco provável que ela convença superdelegados suficientes para garantir a indicação. A possibilidade de Hillary consolidar uma candidatura forte diante das lideranças do Partido Democrata seria conseguir a recontagem das prévias de Michigan e Flórida, punidas por antecipar a realização da votação e que a própria legenda já manifestou que não serão consideradas.   Durante o discurso da vitória, Hillary deixou claro que pretende continuar com a campanha até o final das prévias democratas, que serão encerradas em junho, e pediu por mais doações para o seu comitê. Cristina acredita que a senadora ainda mostra disposição em seguir com a disputa não visando exatamente a Casa Branca, mas uma posição importante no campo de Obama durante a campanha presidencial e no próprio futuro do Partido Democrata, mostrando que apesar de todas as dificuldades, seguiu os seus objetivos. Porém, seria complicada a possibilidade dela se tornar um braço direito da campanha do rival, por conta da disputa conturbada nos últimos meses, embora exista a necessidade de Obama em contar com o apoio da senadora para conquistar os seus eleitores.   A especialista acredita que Hillary pode apostar até mesmo em um posto favorecido no governo Obama e nas próximas eleições presidenciais, que acontecem em 2012. Outra possibilidade cogitada é que a senadora esteja interessada em prolongar a luta para ganhar popularidade e que Hillary prefere que Obama seja derrotado em novembro pelo virtual candidato republicano, John McCain, para tentar nova candidatura em 2012, como aponta Sean Purdy.   Uma das razões que garantiu o resultado de Obama em Indiana seria a polêmica racial sobre os comentários do ex-pastor de Obama, o reverendo Jeremiah Wright. Cristina lembra que o senador era favorito no Estado, e perdeu muitos votos por conta dos ataques da campanha de Hillary. Sean Purdy acredita que o eleitor não foi tão influenciado por essa questão, por isso a diferença entre os resultados, 49% a 51%, foi tão apertada.    Hillary deve usar a vitória em Indiana como argumento para conseguiu o apoio de mais superdelegados indecisos, já que ambos não conseguirão somar os 2.025 delegados para garantir a nomeação. Porém, as sete prévias restantes não possuem força suficiente para impulsionar a candidatura de Hillary e apenas prolonga a disputa interna no partido. Com o resultado de terça, segundo projeções da CNN, Obama lidera com 1.836 delegados, contra 1.681 de Hillary.   Cristina aponta que Obama deve continuar a enfatizar a sua personalidade e dar continuidade em sua campanha positiva. A especialista diz ainda que Obama é um candidato que deriva de uma "nova geração", o que atrai grande parcela do eleitorado. Apesar da ausência de uma proposta efetiva, focando nos problemas da sociedade americana, Obama levaria vantagem na disputa com McCann, que representaria uma "velha geração". A professora recorda ainda que o uso do carisma e da personalidade foram algumas das razões que garantiram a eleição de Bill Clinton. O especialista da USP ressalta que as plataformas defendidas por Obama, Hillary e McCann diferem em detalhes, mas acredita que se o democrata não investir em propostas sólidas, pode perder a disputa em novembro.

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