Sauditas, Blackwater e Índia financiam fundação de Bill Clinton

Ex-presidente teve de tornar pública lista de doadores após nomeação de Hillary como secretária de Estado

AP

18 de dezembro de 2008 | 19h30

O governo da Arábia Saudita, a empresa de segurança privada Blackwater, e empresários e políticos indianos estão entre os principais financiadores da fundação de caridade do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, marido da futura secretária de Estado de Barack Obama, Hillary Clinton. Desde 1997, a fundação já arrecadou US$ 492 milhões. A Arábia Saudita, acusada de abusos ao direitos humanos organizações não-governamentais, deu entre US$ 10 milhões e US$ 25 milhões. Outros países do Oriente Médio como Kuait, Catar e Omã também figuram como doadores. A empresa Blackwater, contratada pelo governo americano para fazer a segurança de diplomatas do país no Iraque,deu entre US$ 10 mil e US$ 25 mil à Fundação Willian J. Clinton. A empresa se envolveu em um incidente no Iraque em 2007, quando 17 civis foram mortos. Alguns dos financiadores da fundação têm laços com a Índia, que mantém uma disputa geopolítica com o Paquistão sobre a Caxemira. A questão pode ser negociada por Hillary durante o mandato de Clinton. Amar Singh, um político indiano deu entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões a fundação. A Confederação da Indústria Indiana e Dave katragadda, um executivo do mercado financeiro do país também constam na lista.O ex-presidente Clinton, que tem negócios e instituições filantrópicas em todo o mundo, concordou em revelar os nomes de mais de 200 mil doadores de sua fundação para evitar possíveis conflitos de interesses e possibilitar a nomeação de sua mulher, Hillary, para o cargo de secretária de Estado de Barack Obama. A lista de doadores, postada no site da fundação William J. Clinton Foundation, www.clintonfoundation.org, indica que sua organização aceitou doações multimilionárias de uma variedade de governos estrangeiros, companhias e indivíduos que, no total, chegam a US% 500 milhões na última década.   Clinton atua como embaixador honorário, e sua fundação já angariou milhões de dólares no mundo todo para o combate à Aids, à malária e ao aquecimento global. A lei federal não exige que o ex-presidente revele os benfeitores financeiros, e Clinton se recusava por afirmar que seus doadores esperavam confidencialidade. Porém, quando Obama convidou Hillary para formar seu gabinete, o ex-presidente aceitou divulgar a lista como parte de um acordo para evitar conflitos de interesses quando sua mulher assumisse o mais alto cargo diplomático do país.   Os advogados de Clinton disseram que a lista mostra que não há nada a esconder e que a maior parte dos grandes contribuintes já são conhecidos. "Quero pessoalmente expressar minha mais profunda apreciação pelos nossos muitos contribuintes, que permanecem parceiros de nosso trabalho para impactar as vidas de tantas pessoas pelo mundo", afirma o ex-presidente em nota. A lista não dá detalhes precisos dos doadores, nem datas das doações. Assessores de Clinton afirmaram que trabalharam nas últimas semanas para tentar localizar notificar as mais de 208 mil pessoas, empresas e governos que contribuem desde 1997 de que suas identidades seriam tornadas públicas.

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