Secretário se recusa a assinar indicação de Burris ao Senado

Líderes democratas também disseram que não aceitarão nomeação; Barack Obama apóia decisão dos senadores

Efe

30 de dezembro de 2008 | 20h47

O secretário de Estado de Illinois, Jesse White, disse nesta terça-feira, 30, que não certificará a nomeação de Roland Burris, ex-procurador-geral do estado, para a cadeira no Senado que pertencia ao presidente eleitos dos Estados Unidos, Barak Obama.   Veja também: Governador de Illinois anuncia sucessor de Obama no Senado Obama e Hillary são os mais admirados pelos americanos 82% dos americanos aprovam Obama na transição O gabinete do presidente eleito Cobertura completa das eleições nos EUA   "Como havia dito publicamente antes, não posso acrescentar minha assinatura em um documento que certifique qualquer nomeação feita por Rod Blagojevich para o assento vago que Illinois tem no Senado dos Estados Unidos", disse White em um comunicado.   As declarações do secretário fazem referência à indicação para o Senado recém-anunciada pelo governador de Illinois, Rod Blagojevich, que é acusado de tentar vender a cadeira de Obama em troca de cargos públicos para ele e a mulher.   "Embora respeite o ex-procurador-geral Roland Burris, dada a atual sombra de controvérsia em torno do governador, não posso aceitar o documento", afirmou White, que é responsável pelos registros estaduais e por certificar as ações do Governo.   Até o momento, não está claro se a recusa de White em assinar o documento bloqueará ou atrasará a nomeação de Burris.   Democratas   Os líderes democratas do Senado também disseram que não aceitarão a nomeação de Burris. "Diante dessas circunstâncias, qualquer pessoa nomeada pelo governador Blagojevich não pode ser um servidor eficaz do povo de Illinois, e como já dissemos, não será confirmado pela bancada democrata", indicaram os líderes em comunicado.    Os líderes são apoiados pelo presidente eleito, Barack Obama, que expressou solidariedade à decisão nesta terça-feira, 30. Obama disse, em um comunicado, que Burris é um bom homem, mas que concorda que o Senado não pode aceitar uma nomeação de Blagojevich. Obama repetiu seu pedido para que ele renuncie e permita que o lugar seja ocupado de outra maneira.   "Roland Burris é um bom homem e um bom servidor público, mas os democratas do Senado já deixaram claro há várias semanas que não podem aceitar uma nomeação feita por um governador acusado de vender esta mesma cadeira do Senado", disse Obama em um comunicado.   "Estou de acordo com a decisão deles e é extremamente decepcionante o governador Blagojevich optar por ignorá-la", acrescentou.   Obama disse que a melhor decisão "seria o governador renunciar ao cargo e permitir o início de um processo legal e apropriado" para a nomeação de um sucessor.   O presidente eleito declarou ainda que o governador Blagojevich tem direito a um processo legal pelas acusações que lhe são feitas, mas que, por outro lado, "o povo de Illinois tem direito a um Governo que funcione e a que as principais decisões estejam livres de manchas e controvérsias".   Os senadores disseram que sua opinião nada tem a ver com a capacidade de Burris de ocupar o cargo, mas que se trata da "integridade do governador acusado de tentar vender essa cadeira."   Além disso, pediram de novo a Blagojevich, que é do partido, que renuncie "e permita a seu sucessor que nomeie alguém" que possa ser ratificado "sem controvérsia".   Vice-governador   O vice-governador de Illinois, Pat Quinn, também condenou, em entrevista coletiva, a indicação de Burris. "O governador cometeu um erro hoje ao desafiar a vontade do povo de Illinois", disse.   Quinn acrescentou que foi amigo de Burris nos últimos 36 anos e que, ainda assim, acha que o ex-procurador-geral se equivocou ao aceitar a nomeação.   Blagojevich "não está qualificado para ser governador", declarou o vice, segundo quem o Legislativo o condenará em um julgamento político.   Ampliada às 22h02   (Com AP)

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