Seria 'extraordinário' se EUA elegessem um negro, diz Lula

O presidente brasileiro comparou a eleição de Obama à eleição de Evo Morales, Hugo Chávez e Fernando Lugo

João Domingos, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

31 de outubro de 2008 | 14h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro nesta sexta-feira, 31, que simpatiza com o candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmando que "seria extraordinário" se fosse eleito um candidato negro para a Casa Branca. "Não conheço bem o McCain (candidato republicano, John McCain) nem o Obama, mas - da mesma forma que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia, um índio, a Venezuela, o (Hugo) Chávez, e o Paraguai, um bispo -, seria extraordinário a maior economia do mundo eleger um negro", afirmou Lula em discurso em Havana, Cuba.   Veja também: Lula confirma visita de Raúl Castro ao Brasil em dezembro Obama lidera em 5 Estados-chave; McCain, em 2 Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   "Claro que o eleitor é soberano, e é o povo de lá que decide, mas, no mundo inteiro, há uma ponta de alegria, na mente silenciosa de cada um de nós, de ver um negro eleito presidente dos Estados Unidos", disse. O presidente brasileiro está em Cuba para participar da abertura de um escritório da Associação Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).   "Passamos por um momento extraordinário na América do Sul. Em mais de 500 anos, com mais de 200 anos de independência para muitos países latino-americanos (...), não tivemos um único momento em que os setores de esquerda (...) chegassem ao poder em tantos países da América Latina", afirmou.   "Tomara que isso também ocorra na maior economia do mundo", afirmou Lula, apesar de ter ressaltado que não conhece "bem" nem Obama nem o candidato republicano, John McCain.   Além disso, o presidente brasileiro disse que está "convencido" de que "está muito próximo" o fim do embargo comercial e financeiro que os Estados Unidos sustentam contra Cuba desde 1962.   "Eu espero que, depois das eleições nos EUA, qualquer que seja o presidente eleito tome a decisão de pôr fim a esse bloqueio inexplicável e inaceitável", destacou.   Para o presidente brasileiro, "a única explicação" para que o bloqueio continue é "a falta de sensibilidade", "a insensatez", ou "quem sabe, apenas interesses políticos eleitorais".   "Não existe outra explicação, a não ser o ressentimento de um país grande que perdeu para um país pequeno", acrescentou.   Lula revelou que, "em várias ocasiões", conversou com as autoridades americanas, perguntou a elas "qual o motivo de manterem o bloqueio", e não recebeu "qualquer explicação que possa ser explicável".   Ele expressou sua "alegria" com o fato de que sua segunda visita a Cuba em 2008 tenha ocorrido na mesma semana em que a resolução contra o bloqueio apresentada por Havana na Assembléia Geral da ONU recebeu apoio quase unânime.   "Sem dúvida, isto não vai mudar nada, porque já estamos acostumados a ver que as decisões da ONU são cumpridas apenas quando interessa aos grandes e não quando interessa aos pequenos", disse o líder.   A resolução cubana, apresentada este ano pela 17ª vez consecutiva na Assembléia Geral, recebeu 185 votos a favor, três contra, duas abstenções e outras duas ausências.   Lula fez as declarações após assistir, junto com Raúl Castro, à assinatura de um contrato pelo qual a Petrobras adquiriu os direitos para explorar nas águas profundas de Cuba no Golfo do México.   O presidente brasileiro concluirá nesta sexta-feira, 31, uma visita de menos de 24 horas a Havana.   (Com Efe)   Ampliada às 16h33

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