Ben Listerman / AFP
Ben Listerman / AFP

Sistema de escudo antimísseis começa a operar na Coreia do Sul

Projeto irritou a China, que teme que o equipamento fragilize sua própria capacidade em termos de mísseis balísticos e alega que altera o equilíbrio da segurança regional

O Estado de S.Paulo

02 Maio 2017 | 04h26
Atualizado 02 Maio 2017 | 11h25

SEUL - Um controvertido escudo antimísseis americanos, cuja instalação não agradou a China, já está em operação na Coreia do Sul, informou na segunda-feira um alto funcionário americano de Defesa.

O sistema de defesa THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) "está em funcionamento e tem a capacidade de interceptar mísseis da Coreia do Norte e defender a República da Coreia do Sul", confirmou o coronel Rob Manning, porta-voz das forças americanas em Seul.

EUA e Coreia do Sul tinham firmado um acordo em julho para a instalação do escudo, após uma sequência de testes com mísseis por parte da Coreia do Norte. "Ele (o sistema) alcançou sua capacidade inicial de interceptação", disse o funcionário sob condição de ter sua identidade preservada. Esta capacidade inicial seria aumentada ainda no fim deste ano, com a chegada de outros componentes, afirmaram funcionários.

O montagem do sistema THAAD na Coreia do Sul irritou a China, pois ela teme que o equipamento fragilize sua própria capacidade em termos de mísseis balísticos e alega que altera o equilíbrio da segurança regional.

Instalado em um campo de golfe no condado de Seongju, o THAAD está projetado para interceptar e destruir mísseis balísticos de curto e médio alcance em sua fase final de voo.

Pequim impôs uma série de medidas consideradas como represálias econômicas contra a Coreia do Sul pela montagem do sistema, incluindo a proibição de grupos turísticos. O conglomerado varejista Lotte, que anteriormente era proprietário do campo de golfe, também foi alvo, com o fechamento de 85 de suas 99 lojas na China, enquanto a maior fabricante de automóveis da Coreia do Sul, a Hyundai Motor, informou que suas vendas no país caíram bruscamente.

A ativação do THAAD ocorre enquanto a tensão se eleva na península coreana, após as ações da Coreia do Norte e das advertências do governo americano de Donald Trump de que a ação militar é uma "opção sobre a mesa". Entretanto, segundo os especialistas, esta única bateria THAAD não é suficiente para proteger todo o território da Coreia do Sul, e seriam necessárias duas ou três para chegar a esse objetivo. / AFP

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