John Locher/AP Photo
John Locher/AP Photo

Suposta interferência russa marca último debate presidencial nos EUA

Hillary Clinton e Donald Trump acusaram um ao outro de ser "fantoche" de Vladimir Putin

Redação Internacional, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2016 | 06h35

Cláudia Trevisan

Enviada Especial / Las Vegas, EUA 

Vladimir Putin e a suposta interferência de Moscou nas eleições americanas foram objeto de um dos mais intensos fogos cruzados do último debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, com cada um dos candidatos acusando o adversário de ser "fantoche" do presidente russo.

A Rússia entrou no debate na resposta de Hillary a uma pergunta sobre declarações que ela fez em 2013 em palestra a executivos do banco brasileiro Itaú. De acordo com e-mails vazados pelo Wikileaks, a candidata defendeu uma visão para as Américas com "livre comércio e fronteiras abertas", posição pouco apreciadas pelos eleitores na atual disputa presidencial. 

Depois de dizer que suas palavras haviam sido retiradas do contexto, Hillary atacou o Wikileaks e afirmou que as informações distribuídas pela entidade têm origem em ataques cibernéticos promovidos pela Rússia. A candidata lembrou que Trump estimulou atos de espionagem de Moscou quando mensagens trocadas por integrantes do Partido Democrata foram vazadas na véspera da convenção da legenda, em julho. Segundo ela, a pergunta mais importante da noite era saber se o adversário rejeitava os atos que havia estimulado no passado.

"Essa é uma grande guinada do fato de que ela quer fronteiras abertas, ok? Como nós chegamos a Putin?", perguntou Trump. Apesar de afirmar que não conhece Putin, o candidato disse que o presidente russo tem pouco respeito pela adversária. "Isso porque ele gostaria de ter um fantoche como presidente dos Estados Unidos", respondeu Hillary. "Fantoche não. Fantoche não", retrucou Trump. "Você é o fantoche", continuou.

Hillary mencionou investigação dos serviços de inteligência dos EUA que apontam a Rússia como responsável pelos ataques que estão supostamente alimentando o Wikileaks. Nas últimas semanas, a entidade tem divulgado milhares de e-mails do principal assessor de Hillary, no que os democratas apontam como uma tentativa de interferir nas eleições americanas.

"O sr. condena a interferência?", perguntou Wallace. "Claro que eu condeno", respondeu Trump. Mas em seguida, o candidato emendou: "Eu não conheço Putin, eu não tenho ideia." Wallace insistiu: "Estou perguntando se o sr. condena?". Trump respondeu com uma evasiva: "Eu nunca encontrei Putin. Esse não é o meu melhor amigo. Mas se os Estados Unidos se dessem bem com a Rússia, isso não seria tão ruim".

Em uma de suas melhores ofensivas da noite, Trump desafiou Hillary a devolver o dinheiro recebido pela Fundação Clinton de países que desrespeitam os direitos humanos, entre os quais mencionou a Arábia Saudita. "Essas são pessoas que matam mulheres e tratam as mulheres de maneira horrível. Ainda assim, você aceitou o seu dinheiro", afirmou o republicano. "Por que você não devolve o dinheiro? Eu acho que seria um grande gesto."

Hillary ignorou a pergunta sobre doações e fez uma defesa enfática do trabalho da Fundação Clinton, algo que havia evitado até agora. "Eu adotaria comparar o que nós fazemos com a Fundação Trump, que recebeu dinheiro de outras pessoas e comprou um retrato de 1,8m de Donald."

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