Jewel Samad/AFP
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Trump vence prévia de Indiana e será candidato republicano à Casa Branca

Senador Ted Cruz desiste da disputa e bilionário nova-iorquino, que nunca concorreu a um cargo público e disputou uma campanha agressiva, distribuindo ofensas a negros, mulheres e imigrantes, será o nome do partido na eleição de novembro

Cláudia Trevisan , O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 23h01

WASHINGTON - Donald Trump garantiu nesta terça-feira a nomeação do Partido Republicano à presidência dos EUA com a desistência de seu principal concorrente, Ted Cruz. “Desde o início, eu disse que continuaria enquanto houvesse um caminho para a vitória. Hoje, parece que esse caminho se fechou”, disse o senador texano depois de sofrer uma derrota devastadora nas primárias de Indiana.

Desprezado pelo establishment e pela ala tradicional da legenda, Trump derrotou um número recorde de aspirantes à disputa pela Casa Branca, entre os quais cinco governadores ou ex-governadores e quatro senadores. O bilionário nunca ocupou um cargo público e ganhou o apoio de eleitores republicanos ao se apresentar como alguém sem associação com a política tradicional americana.

Trump também ganhou seguidores com um discurso nacionalista, xenófobo e crítico da globalização e de acordos comerciais.

Quando lançou sua campanha, no dia 16 de junho, o bilionário acusou imigrantes mexicanos de serem estupradores e traficantes de drogas e prometeu construir um muro na fronteira com o país, a ser pago pelo governo vizinho.

Minorias. A retórica politicamente incorreta de Trump também atingiu os negros e as mulheres, grupos entre os quais enfrenta elevada rejeição. O futuro candidato republicano criticou sua então adversária Carly Fiorina por sua aparência e atacou a apresentadora Megyn Kelly, da Fox News. Depois de a jornalista questioná-lo sobre uma série de comentários depreciativos em relação às mulheres durante debate republicano, Trump insinuou que sua posição incisiva era porque ela estaria supostamente menstruada. 

O bilionário será o candidato republicano com menos experiência política e administrativa em décadas. Também será um dos que provocaram maior divisão dentro da legenda. Em seu discurso de ontem, Trump tentou construir pontes ao elogiar seus concorrentes republicanos e congratular Cruz. 

Poucas horas antes, ele havia insinuado que o pai do senador teve envolvimento no assassinato de John Kennedy, em 1963. A acusação não é sustentada em nenhuma prova e foi levantada pelo National Enquirer, um tabloide de fofocas cujos textos têm pouca relação com a realidade.

Além de atacar grupos que o partido esperava conquistar, como hispânicos, negros e mulheres, Trump apresentou propostas de política externa que se chocam com princípios defendidos por ambos os partidos americanos desde o fim da 2ª Guerra.

O candidato defende que os EUA abandonem seus compromissos com a defesa de aliados na Europa e na Ásia, caso eles não aumentem sua contribuição para financiar tropas americanas. Para ele, é aceitável que Japão e Coreia do Sul tenham armas nucleares para garantir sua segurança, caso os americanos deixem a região.

A primária de Indiana era considerada a última chance do grupo anti-Trump de barrar sua caminhada rumo à candidatura da legenda. No entanto, o bilionário venceu o Estado com mais de 50% dos votos e com uma diferença de quase 20 pontos porcentuais em relação a Cruz. “Nós iremos atrás de Hillary”, declarou o magnata nova-iorquino, em referência à provável candidata democrata, Hillary Clinton.

A ex-secretária de Estado foi derrotada em Indiana pelo senador Bernie Sanders, mas o resultado não deverá afetar de maneira significativa sua liderança na disputa por delegados. Hillary tem ampla vantagem graças ao apoio dos superdelegados, o grupo de dirigentes da legenda, deputados e senadores que podem votar como quiserem na convenção de julho.

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