Time de Obama discute mudança de políticas de interrogatórios

Futuro secretário de Justiça se reúne com opositores dos métodos empregados durante o governo Bush

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2008 | 10h06

Eric Holder, secretário de Justiça indicado pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama, se reuniu na quarta-feira, 3, com 12 generais e almirantes aposentados para discutir a mudança de postura do próximo governo americano sobre a questão das prisões e os interrogatórios, segundo informa a CNN. Os oficiais têm sido bastante críticos contra as técnicas apoiadas pela administração Bush, incluindo práticas como o afogamento.   Veja também: Obama discute cooperação com o premiê iraquiano Temendo trote, congressista desliga telefone na cara de Obama O gabinete do presidente eleito   Holder participou do encontro com o advogado Greg Craig, um ex-conselheiro especial do presidente Bill Clinton e futuro conselheiro da Casa Branca, e Mary De Rosa, membro da equipe de transição do Departamento de Segurança Nacional. O grupo reforçou a necessidade do país adotar um padrão único - e menos controverso - para o interrogatórios e prisões feitas pelos serviços de inteligência (CIA) e outras agências do governo.   O almirante John Hutson ressaltou para a CNN a importância de que o novo presidente mostre que os EUA não se engajarão na tortura, não só porque estas técnicas são ineficientes, mas também porque elas "mancham o bom nome dos EUA, dentro do país e internacionalmente".   Durante a campanha presidencial americana, Obama indicou sua intenção de fechar a prisão militar de Guantánamo e reexaminar as políticas do governo Bush sobre as irregularidades em interrogatórios e o uso de tortura contra suspeitos de terrorismo. "   CIA   Nos dois anos de campanha presidencial, Barack Obama arrastou multidões com críticas duras às políticas de combate ao terror adotadas pelo presidente George W. Bush - da detenção de suspeitos em prisões secretas, aos procedimentos usados em interrogados. Eleito presidente, Obama agora deve assumir o controle sobre a CIA, tarefa apontada como um de seus maiores desafios.   Na última semana, o veterano da agência de inteligência John O. Brennan, um dos cotados para a nova chefia da CIA, retirou seu nome da disputa depois que virou alvo de críticas. Democratas o acusaram de ter participado do controvertido programa de interrogatório de suspeitos de terrorismo. Brennan afirmou ter sido "um forte oponente" dentro da CIA dos interrogatórios mais violentos. Obama, entretanto, rapidamente percebeu que a nomeação não valeria a batalha com seus próprios partidários.   A dificuldade de romper com o legado de Bush na CIA, mantendo ao mesmo tempo o foco da agência na luta contra o terrorismo, complica a busca de Obama por um novo nome. Para Mark M. Lowenthal, veterano da espionagem que deixou a agência em 2005, o fato de Obama ter descartado o nome de Brennan envia uma mensagem clara. "Se você trabalhou para a CIA na guerra ao terror, você agora está marcado", resumiu. A condenação prévia já estaria causando calafrios em funcionários de programas clandestinos da agência.   A preservação das detenções secretas - com interrogatórios mais agressivos do que aqueles realizados por militares e transferências de prisioneiros para países que torturam - é a maior questão que Obama terá de enfrentar quanto à CIA. Em seus dois anos de campanha, o presidente eleito falou várias vezes em restaurar os "valores americanos" também na luta contra o terrorismo internacional. Obama prometeu banir as regras que autorizam os interrogatórios secretos da CIA, submetendo todos os interrogadores aos procedimentos utilizados pelos militares. "Não podemos ganhar a guerra sem respeitar um alto padrão, mantendo as pessoas do nosso lado", disse em discurso Obama. "Como a última administração não fez isso, hoje temos mais inimigos", completou.   (Com The New York Times)

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