Troca de acusações antecede debate entre Obama e McCain

Na véspera, campanhas acirram insultos; democrata diz que rivais jogam sujo com acusação de terrorismo

Agências internacionais,

06 de outubro de 2008 | 12h27

Os candidatos presidenciais americanos, John McCain e Barack Obama, se preparam para o segundo debate da campanha, que acontece nesta terça-feira, 7, em meio à troca de acusações entre os dois partidos. A troca de insultos - iniciada durante o fim de semana pela campanha do republicano John McCain - ganhou força na corrida presidencial dos Estados Unidos nesta segunda-feira. A campanha do democrata Barack Obama ressuscitou as ligações do rival com um escândalo financeiro que lhe rendeu uma reprimenda dos colegas de Senado, duas décadas atrás.   Veja também: Obama denuncia 'jogo sujo' de rivais republicanos Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   O segundo evento previsto pelas campanhas acontecerá a partir das 22 horas (horário de Brasília) e contará com as perguntas dos espectadores, incluindo internautas. O primeiro debate teve recorde de pior nível de audiência. Apenas 52,4 milhões de pessoas assistiram ao evento pela televisão no último dia 26. Antes desse, a audiência mais baixa tinha sido registrada em 1976, quando Gerald Ford e Jimmy Carter foram vistos por 62,7 milhões de pessoas. O embate que atraiu mais espectadores ocorreu em 1980, entre Ronald Reagan e Jimmy Carter, que foram vistos por 80,6 milhões de pessoas. Segundo a Comissão de debates presidenciais, o evento de terça abordará todas as perguntas do público.   McCain, que costuma se sair bem em reuniões com o público, deve adotar um tom mais duro, seguindo a estratégia de sua companheira de chapa, Sarah Palin, que acusou Obama de ligação com terroristas. O democrata lançou um contra-ataque no domingo, dizendo que os republicanos estão mais interessados em fazer uma campanha maliciosa do que em resolver os problemas da economia americana. Com McCain perdendo terreno nas pesquisas de opinião, um estrategista de sua campanha foi citado como tendo dito que o candidato republicano precisa "virar a página" da questão econômica e fazer a eleição girar em torno da experiência e do caráter de Obama.   Os republicanos acusaram Obama de ter relações com um radical da década de 1960. A campanha democrata reagiu, com um "documentário" de 13 minutos sobre a relação de McCain e o magnata Charles Keating. Na época McCain foi considerado um dos "cinco de Keating", parlamentares investigados em um painel do Senado por supostamente buscarem vantagens para Keating. O vídeo qualifica o episódio como um olhar sobre o "passado, presente e futuro econômico de McCain".   A escalada dos ataques começou no sábado, quando a candidata à vice Sarah Palin disse em três oportunidades que Obama vê os Estados Unidos de modo tão errado que anda "com terroristas que atacariam seu próprio país". Os comentários referiam-se à ligação de Obama com Bill Ayers, um radical na década de 1960. Ayers é um dos fundadores do Weather Underground, grupo acusado por atentados ainda quando Obama era uma criança. Nesta segunda-feira, Sarah voltou a falar da ligação de Obama com um "ex-terrorista", durante um comício na Flórida.   Obama rechaçou as atividades radicais do passado de Ayers, afirmando que os dois não são próximos. Obama e Ayers participaram da mesma instituição de caridade em Chicago e moram perto em Chicago. Ayers também organizou um evento em uma campanha de Obama no meio da década de 1990. O diretor de comunicação da campanha de Obama, Robert Gibbs, acusou os rivais de tentarem mudar o foco ao trazer esse fato ao debate. Gibbs lembrou que Obama tinha apenas oito anos quando os atentados ocorreram.   Já o ataque dos democratas se refere a um episódio ocorrido poucos meses após McCain iniciar sua carreira no Senado, no fim da década de 1980. O senador por Arizona participou de dois encontros com funcionários encarregados da regulação bancária a pedido de Keating, seu amigo. Keating foi depois condenado por fraude. McCain qualificou o caso como "o pior erro de minha Vida". Um painel do Senado concluiu que McCain teve um papel secundário no escândalo. Porém o senador foi censurado pelo seu "parco julgamento".   Nos últimos dias, McCain caiu nas pesquisas entre outros motivos por sua dificuldade em dar uma resposta sobre as preocupações econômicas. A melhora de Obama nas sondagens foi motivada pela percepção do público de que ele é quem tem melhores condições de ajudar a economia a se recuperar. O senador democrata tentou manter o foco na economia. "Estamos enfrentando a pior crise econômica desde a Grande Depressão, e John McCain quer que 'viremos a página?'", disse ele em Asheville no domingo.   A acusação de Sarah aparentemente faz parte de uma nova estratégia republicana de aumentar o tom dos ataques pessoais contra o rival. Com o recente crescimento de Obama a menos de um mês para a eleição, McCain e seus aliados tentam atingir a boa imagem do democrata, questionando sua honestidade e suas amizades. Alguns analistas, no entanto, acreditam que os ataques pessoais contra Obama correm o risco de serem vistos como racistas e afastarem eleitores ainda indecisos. Intencionalmente ou não, a afirmação de que Obama "não é como nós", feita por Sarah no comício, sugere que um negro nascido no Havaí não deve ser visto como um cidadão americano comum.

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