Saul Loeb/AFP
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Em entrevista, Trump diz que muro com México terá início em 'meses'

Ele confirmou, porém, que a obra será financiada com o dinheiro do contribuinte americano, mas o México irá repor esse dinheiro no futuro 

O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2017 | 02h27
Atualizado 25 Janeiro 2017 | 16h08

WASHINGTON - Em sua primeira entrevista a uma TV americana após sua posse, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou à ABC News que o México pagará pelo muro a ser construído na fronteira entre os dois países e as negociações para a obra começarão "relativamente rápido", em "meses". 

Durante a entrevista, realizada na manhã desta quarta-feira, 25, na Casa Branca, Trump disse que o México pagará "100%" os EUA. Ele confirmou, porém, que a obra será financiada com o dinheiro do contribuinte americano, mas o México irá repor esse dinheiro no futuro. 

"Tudo isso, vamos repor em uma data no futuro de qualquer que seja a transação que fizermos com o México", disse. "Estou dizendo a você que haverá um pagamento. Ele ocorrerá de alguma forma, ainda que uma forma complicada. O que estou fazendo é bom para os EUA. Também será bom para o México. Queremos um México muito estável, sólido", disse Trump. 

Ontem, em sua conta no Twitter, Trump prometeu ordenar nesta quarta-feira, 25, a construção de um muro na fronteira com o México, uma das principais promessas de campanha feita pelo republicano. 

"Grande dia planejado sobre segurança nacional amanhã. Entre outras coisas, nós vamos construir o muro!", escreveu o presidente na rede social. Trump planeja assinar uma ordem executiva para direcionar recursos federais para a construção do muro em visita ao Departamento de Segurança Interna nesta quarta. Fontes da Casa Branca já confirmavam a informação durante a tarde da terça-feira, 24.

Para construir o muro, Trump poderá se apoiar numa lei de 2006 que autorizou a instalação de cercas ao longo da fronteira. Essa legislação levou à construção de cerca de 1.126 quilômetros de barreiras de diversos tipos, feitas para bloquear a passagem tanto de pessoas quanto de veículos.

O presidente americano argumenta que é vital controlar a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Na mesma linha, Trump deve assinar também ordens executivas para restringir a entrada de refugiados no país. Ele deve banir a imigração da Síria e de outros seis países do Oriente Médio ou da África, de acordo com fontes da Casa Branca.

Além da Síria, a ordem de Trump deve restringir temporariamente o acesso aos EUA à maioria dos refugiados. Outra das medidas prevê o bloqueio de vistos emitidos para Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen, disseram os funcionários sob condição de anonimato.

Durante a campanha, Trump prometeu proibir temporariamente os muçulmanos de entrar nos EUA para proteger os americanos de ataques jihadistas. Muitos partidários de Trump condenaram a decisão do ex-presidente Barack Obama de aumentar o número de refugiados sírios que os EUA aceitariam com medo de que entre os que fogem da guerra civil estivessem jihadistas que poderiam cometer atentados em território americano. / NYT, REUTERS e AP

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