Al Drago/The New York Times
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Trump quer até dois anos para reunir crianças separadas dos pais na fronteira

O governo afirma que a tarefa se tornou ainda mais complicada, uma vez que muitas das crianças e adolescentes já não estão mais sob custódia do estado

Elliot Spagat, AP

07 de abril de 2019 | 04h57

SÃO DIEGO - A administração do presidente norte-americano, Donald Trump, quer até dois anos para achar milhares de menores de idade que foram separados de suas famílias na fronteira com o México. O governo afirma que a tarefa se tornou ainda mais complicada, uma vez que muitas das crianças e adolescentes já não estão mais sob custódia do estado.

O Departamento de Justiça informou que vai demorar pelo menos um ano para analisar novamente os cerca de 47 mil casos de crianças desacompanhadas que ficaram sob a custódia do governo entre 1º de julho de 2017 e 25 de junho de 2018. A política só cessou quando a juíza federal Dana Sabraw impediu a prática de separar famílias.

A administração Trump providenciaria informações sobre famílias separadas para a União Americana de Liberdades Civis, que tentaria reunir as famílias. A organização criticou a demora com que o governo pretende finalizar a tarefa. "Nos opomos fortemente a um plano que poderia levar até dois anos para localizar essas famílias", disse Lee Gelernt, advogado da organização. "O governo precisa tornar essa tarefa uma prioridade.''

Dana Sabraw ordenou no ano passado que mais de 2,7 mil crianças sob custódia do governo, em 26 de junho de 2018, fossem entregues a suas famílias. Essa tarefa foi em grande parte concluída.

No entanto, a corregedoria interna do Departamento de Saúde e Direitos Humanos dos Estados Unidos denunciou que outras milhares de crianças poderiam ter sido separadas de suas famílias desde o verão de 2017. O inspetor geral do órgão disse que o número preciso de casos era incerto.

A vasta maioria dos menores de idade separados são entregues para familiares, mas nem todos os casos o são para os pais. De todas as crianças liberadas em 2017, 49% foram entregues a seus pais; 41% para parentes próximos como tias, tios e avós; e ainda 10% foram entregues para parentes distantes ou amigos da família.

Sábado marca o aniversário da política de "tolerância zero" do governo Trump, segundo a qual todo adulto que entrasse ilegalmente pela fronteira com o México seria processado criminalmente. A administração voltou atrás após a repercussão internacional negativa. A política agora se aplicar apenas a adultos desacompanhados.

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