Bradley C. Bower|Bloomberg
Bradley C. Bower|Bloomberg

Ultraconservador chefiará embaixada que Trump quer mudar para Jerusalém

Advogado escolhido para comandar diplomacia americana em Israel contesta necessidade de um Estado palestino, apoia assentamentos judaicos na Cisjordânia e projeta tirar de Tel-Aviv o prédio da missão, uma promessa que revolta a comunidade árabe

Redação, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2016 | 07h40

WASHINGTON - O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, escolheu como embaixador em Israel seu amigo e advogado David Friedman, que contesta a necessidade de um Estado palestino, apoia os assentamentos judaicos na Cisjordânia e ataca judeus que defendem uma solução negociada para o conflito no Oriente Médio.

O anúncio feito na quinta-feira reforça a promessa de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital do país, algo que outros presidentes não cumpriram. O nome agradou a extrema direita israelense, preocupou judeus moderados e revoltou líderes palestinos.

Friedman, amigo de Trump que o defendeu em disputas judiciais em seus cassinos de Atlantic City, declarou que gostaria de assumir o posto em Jerusalém, em um sinal de que o país trabalha em um plano para tirar a sede de Tel-Aviv – capital reconhecida internacionalmente.

Trump indica que pode protagonizar uma reviravolta na política externa americana. Durante mais de duas décadas, presidentes preferiram ignorar uma lei de 1995 que determina a transferência, evitada pelas consequências políticas e religiosas.

Assim que Trump e Friedman falaram pela primeira vez sobre a proposta de transferir a embaixada, no mês passado, o enviado da Palestina na ONU, Ryad Mansour, prometeu que tornaria a vida “miserável” para a Casa Branca se a proposta fosse levada adiante. Para o diplomata, essa decisão representaria um flagrante desafio aos direitos dos palestinos sobre a Jerusalém ocupada e seria vista como um “ato beligerante”. O secretário-geral da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, disse que essa transferência destruiria o processo de paz entre Israel e os palestinos.

Disputa. O plano de partilha das Nações Unidas, de 1947, determinou que palestinos e judeus teriam seus Estados independentes. Jerusalém, sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, receberia um status internacional especial. Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade, e a anexou posteriormente. O status de capital para Jerusalém é contestado pelos palestinos e pela maioria das nações, que reconhecem as linhas desenhadas após a guerra de 1967.

Israelenses que querem preservar a solução de dois Estados – um para palestinos e outro para judeus – estão preocupados com o plano americano para os próximos quatro anos. No comunicado divulgado pela equipe de transição, Friedman disse que espera poder trabalhar na embaixada dos Estados Unidos “na capital eterna de Israel, Jerusalém”.

Friedman tem laços estreitos com Israel, é colunista de jornais de direita como Arutz Sheva e Jerusalem Post. Ele também é ex-presidente da American Friends of Bet El Institutions – uma organização que financia atividades nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, considerados ocupações pela comunidade internacional.

Filho de um proeminente rabino de Nova York e fluente em hebraico, Friedman passa com frequência os feriados religiosos em Jerusalém. Comentaristas em Israel disseram que a escolha americana foi a mais pró-Israel em toda uma geração. Seu nome ainda precisará ser aprovado pelo Senado.

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