Uma piscada que pode custar caro para Barack Obama

Comercial de 30 segundos do partido democrata é acusado de sexismo contra Sarah Palin

Alan Rafael Villaverde, do estadão.com.br,

31 de outubro de 2008 | 04h56

  O comitê organizador da campanha oficial do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, comemora o comercial histórico, de meia hora, transmitido em horário nobre na noite de terça-feira, mas um simples comercial de 30 segundos, que coloca a vice da chapa do republicano John McCain, Sarah Palin, como uma mulher sem conteúdo, pode ter colocado em risco a vitória dada como certa para muitos em 4 de novembro.   Veja também: Pesquisa mostra Obama à frente em quatro Estados-chave Fim de semana pré-eleições pode trazer surpresas, diz analista Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Várias mulheres, engajadas no cenário político americano, apareceram com críticas ao comercial, citando uma tentativa da campanha de Obama de colocar o rótulo de mulher-objeto em Sarah Palin. As críticas vieram principalmente de mulheres democratas.   A principal delas é Amy Siskind, uma das principais articuladoras da campanha da senadora democrata Hillary Clinton, que perdeu as primárias do partido para Obama. "Quando a senadora Hillary Clinton foi humilhada e desqualificada durante a primária democrata, muitas de nós, incluindo minha pessoa, jurou que isto não aconteceria jamais. O tratamento dado a governadora Palin, tanto pela mídia quanto pela campanha de Obama, mostra que a aversão pelas mulheres continua viva e forte em nosso país. Existe um completo e absoluto trabalho realizado pela nossa cidadã companheira, Sarah Palin, que está tentando ajudar o país", disse Siskind, num press release divulgado em massa pela campanha do senador John McCain.   O assunto ganhou força na mídia americana durante toda a quinta-feira, principalmente no canal de notícias Fox News, que chegou a entrevistar outras mulheres do partido democrata que, assim como Sisking, acreditam que o comercial acaba com todo o esforço para valorizar o papel feminino na sociedade americana. Todas declaram que mudaram de opinião e votarão em McCain. Já pessoas ligadas à campanha de Obama retrucaram a acusação de sexismo, dizendo que é a chapa republicana que utiliza a imagem de mulher-objeto, com Sarah Palin, para ganhar votos, e que o comercial apenas cogita se a governadora do Alasca tem a experiência necessária para ajudar McCain para tirar os Estados Unidos da situação econômica delicada que se encontra.   Apesar da polêmica ressurgida, já que Barack Obama havia sido acusado de sexismo durante a disputa pela indicação democrata com Hillary Clinton, o senador pelo estado de Illinois ainda está à frente na intenção de votos femininos. A diferença continua grande, com Obama tendo 54% da preferência do eleitorado feminino, enquanto McCain possui 38%, de acordo com a pesquisa do instituto Gallup, realizada entre os dias 20 e 26 de outubro.   O comercial   A exibição de 30 segundos mostra frases de John McCain, confessando que não sabe muito sobre economia, o que tem sido a principal preocupação do público americano., e que teria que se apoiar no expertise de seu vice-presidente em tal assunto. "Eu talvez tenha que confiar tal assunto ao meu vice-presidente, que será escolhido por seus conhecimentos em economia", disse McCain, durante um debate de presidenciáveis do partido republicano em 28 de novembro do ano passado.   Depois de mostrar as frases do senador republicano, o comercial pergunta ao espectador: "A escolha de McCain?". A imagem que aparece a seguir é uma piscada da vice-candidata, Sarah Palin.

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