Veja os principais pontos do debate presidencial nos EUA

Pesquisas de duas redes de TV apontam democrata, uma vez mais, como o melhor no último encontro

Agências internacionais,

16 de outubro de 2008 | 15h29

 O senador republicano John McCain partiu para o ataque no terceiro e último debate presidencial, mas as duas pesquisas, das redes de TV CNN e CBS apontaram o democrata Barack Obama como o vencedor do duelo. Segundo a CNN, Obama foi o melhor para 58% dos entrevistados; McCain teve 31%. Pela sondagem da CBS, o democrata foi o melhor para 53% dos entrevistados, contra 22% que optaram por McCain; 24% acharam que o debate ficou empatado. Veja os principais pontos do debate:   Veja também: Obama venceria se eleição fosse hoje, diz pesquisa CNN McCain perde última chance de virar disputa Veja as imagens do debate presidencial  Confira os números das pesquisas nos Estados  Veja a cobertura online no blog  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Crise   Os dois candidatos apresentaram seus planos econômicos para a classe média americana, atingida pela crise econômica. McCain defendeu seu plano de US$ 300 bilhões, que se eleito pretende usar para comprar hipotecas vencidas e evitar que milhões de americanos percam suas casas.   Obama concordou que os mutuários falidos precisam de ajuda mas discordou do plano de McCain, ao dizer que o projeto na realidade dará dinheiro aos bancos. "Nós não queremos desperdiçar o dinheiro que você pagou em impostos", disse Obama aos telespectadores. Ele disse que o pacote de US$ 700 bilhões, aprovado pelo Congresso dos EUA há dez dias, foi um "primeiro passo importante" para combater a crise e notou que ambos os candidatos apoiaram o plano, que não foi recebido com entusiasmo pelo eleitorado.   O republicano aproveitou para criticar a administração do impopular presidente George W. Bush, e criticou o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, por ter socorrido Wall Street e não a classe média. "Estou decepcionado que o secretário Paulson não tenha feito do socorro às hipotecas uma das suas prioridades", disse McCain, no final da primeira resposta, quando explicou seu plano econômico. "Estou convencido que enquanto não contermos essa crise no mercado imobiliário, a situação não irá melhorar", disse o republicano. "É preciso que as pessoas fiquem com suas casas", afirmou.   Ele também destacou que dará incentivos para as empresas que contratarem funcionários nos Estados Unidos, ao invés de subsidiárias no exterior. McCain acusou Obama de querer aumentar impostos para as pequenas empresas e "prejudicar" o sonho americano. Obama também disse que, se eleito, cortará impostos para famílias que ganham menos de US$ 250 mil por ano.   O democrata acusou ainda McCain de querer cortar mais US$ 2 bilhões em impostos para as corporações, inclusive petrolíferas. "Já eu cortarei impostos para 95% dos americanos", disse o democrata. Mais tarde, McCain acusou Obama de ser contrário a acordos de livre-comércio. Os candidatos respondiam a uma pergunta sobre em quanto cada um reduziria a dependência ao petróleo estrangeiro. McCain disse que será possível eliminar a dependência entre sete e oito anos, a partir do momento que os EUA ampliarem a exploração em alto mar de petróleo no litoral americano e as importações de petróleo do Canadá. Com isso, reduziriam as importações da Venezuela e Oriente Médio.   Campanha pesada   Os candidatos se acusaram mutuamente de promover campanhas negativas contra o rival. McCain lamentou os "aspectos negativos" da corrida eleitoral, alguns dos quais classificou como inaceitáveis. Especificamente, o republicano se referiu aos ataques contra sua companheira de chapa e governadora do Alasca, Sarah Palin. McCain disse que, durante a campanha, sempre tratou de temas relevantes para a população americana, como a economia e a criação de empregos. Além disso, destacou que sempre criticou aqueles que passaram dos limites, seja dentro do seu partido ou não.   Contudo, o republicano voltou a insistir na relação de Obama com William Ayers, que já esteve ligado a organizações terroristas e que, segundo Palin sugeriu há cerca de uma semana, foi uma pessoa próxima ao candidato democrata. Obama rejeitou todas as acusações e contra-atacou, afirmando que "quase todos estão convencidos de que é o senador McCain quem trava uma campanha muito negativa".   "Não só foi a campanha de McCain que foi negativa, mas também as organizações que a apóiam", acrescentou o senador por Illinois, que insistiu: "100% de suas propagandas foram negativas, John". "Isso não é verdade", respondeu o republicano. "Sim, é verdade", replicou Obama, num dos momentos mais duros do debate, realizado em uma universidade do estado de Nova York.   "Quando insinuam que eu ando com terroristas, as pessoas fogem do assunto", diz Obama, referindo-se aos exaltados apoiadores do republicano, que freqüentemente gritam ofensas contra o democrata nos comícios de McCain. "Sempre dissemos que esse comportamento é inadequado", responde rapidamente o candidato republicano. "As pessoas que participam do meus comícios são pessoas dedicadas, patriotas, cidadãos fantásticos", defende. "Repudio quando alguém diz algo que não está na linha da minha campanha, e muitas coisas em seus comícios também são ofensivas contra mim, Obama", completa McCain.   Comparação com Bush   Em queda nas pesquisas, McCain ainda atacou o governo Bush e tentou se distanciar da atual administração. Ele reagiu irritado às tentativas de Obama em ligá-lo ao governo atual. "Senador Obama, eu não sou o presidente George W. Bush. Se você queria concorrer com o presidente Bush, deveria ter feito isso há quatro anos", afirmou McCain.   Apesar da insatisfação de McCain com as comparações insinuadas por seu oponente, Obama insistiu em associar a imagem do candidato republicano à de Bush, a quem acusou de endividar o país. Segundo o democrata, McCain sempre apoiou Bush, votando a favor de vários orçamentos propostos pelo chefe de Estado nos últimos anos. Porém, segundo disse, manter essas políticas não vai ajudar o país a sair da atual crise, e o povo americano sabe disso.   Petróleo   McCain propôs um plano com foco em eliminar a dependência americana de petróleo estrangeiro em "sete, oito ou dez anos", principalmente das nações que "afetam a segurança nacional" dos Estados Unidos. Após dizer que Obama só tem interesse em renegociar os acordos com países exportadores de petróleo aos EUA, McCain traçou um plano que passa por estimular a produção de energia nuclear e o uso de gás natural e de tecnologias limpas.   Já o senador por Illinois defendeu, em dez anos, reduzir a dependência estrangeira de energia e "eliminar a importação de petróleo do Oriente Médio e da Venezuela". O candidato democrata ressaltou o potencial de produção da commodity dos EUA e defendeu a exploração da plataforma continental americana como uma maneira de resolver os problemas energéticos do país.   Biocombustíveis   Obama propôs investir em biocombustível e energias renováveis, ao mesmo tempo fazer uma exploração em alto mar mais controlada. Segundo ele, se os EUA fizerem isso eliminarão a dependência em 10 anos. "O senador Obama quer revisar o Nafta. Ele disse isso aos canadenses, que falaram: 'bom, vamos vender nosso petróleo à China'". Obama reagiu: "Eu gosto do livre-comércio. Mas nem todo tratado comercial é bom". O candidato democrata criticou o recente tratado comercial dos EUA com a Coréia do Sul.   McCain disse na quarta-feira que se eleito eliminará a tarifa de importação do etanol feito a partir da cana-de-açúcar e que cortará uma série de subsídios ao etanol norte-americano, feito a partir do milho. "Eu eliminaria a tarifa de importação de etanol feito de cana-de-açúcar do Brasil", disse McCain no debate contra o rival Barack Obama. McCain afirmou ainda que, diferentemente de Obama, ele se opõe aos subsídios ao etanol produzido no país porque eles provocam distorções no mercado e podem levar à inflação.   O presidente George W. Bush também se opõe à tarifa de 54 centavos por galão de etanol importado que o Congresso estendeu até 2010. A tarifa limitou as importações norte-americanas do etanol originário de países com amplos programas de biocombustíveis, como o Brasil, que produz 27,5 bilhões de litros anuais de etanol.   Candidatos a vice   Os candidatos a vice-presidente, o democrata Joe Biden e a republicana Sarah Palin, também foram motivo de divergências. Enquanto o senador por Illinois elogiou a candidata a vice na chapa de McCain, qualificando-a de uma "política capaz", o adversário republicano criticou Biden, afirmando que o braço direito de Obama tinha cometido "erros na política de segurança nacional".   O candidato democrata defendeu Biden, dizendo que era uma pessoa "que nunca esqueceu de onde veio". Segundo Obama, ambos compartilham a mesma idéia sobre os valores e a direção na qual os Estados Unidos devem seguir em questões como o aumento de impostos às grandes corporações, a independência energética do país e educação. "Após oito anos de políticas fracassadas, os dois coincidimos em que temos que voltar a investir na classe trabalhadora", disse o candidato democrata.   Na vez do republicano, McCain afirmou que Palin deveria ser "um modelo para as mulheres", e citou realizações da governadora do Alasca em questões como independência energética e combate à corrupção. "Ela entende como ninguém de necessidades especiais (em referência ao filho caçula de Pali, Trig, de cinco meses, que sofre de síndrome de Down)", disse McCain, para complementar: "Tenho muito orgulho dela e de sua família".   Obama afirmou que é realmente importante o que Palin tem feito pelas famílias com necessidades especiais, mas que é preciso investimentos em pesquisas para ajudá-las e que, com a política de congelamento de gastos de McCain, isso seria inviabilizado. Questionado sobre se Palin está qualificada para ser presidente, Obama reconheceu que ela empolgou a base republicana, mas que essa é uma decisão para o povo americano.     Aborto   McCain reiterou sua oposição ao procedimento cirúrgico, mas disse que sua opinião nesse tema que divide os americanos não o influenciaria na hora de escolher os juízes da Suprema Corte dos EUA. "A nomeação dos candidatos ao Supremo deve se basear em seus antecedentes, em suas decisões, não em sua ideologia política", disse McCain. "Devemos nomeá-los de acordo com suas boas qualificações, mas não acho que ser favorável ao aborto seja uma boa qualificação", disse McCain.   Obama coincidiu com o adversário de que a designação desses magistrados "é a forma na qual se avalie sua capacidade de administrar a Justiça. Eu olharei seus antecedentes quando se tratar de fazer uma designação desse tipo". "Mas eu sou alguém que acredita que a decisão (de legalizar o aborto) foi correta. São as mulheres, em consulta com seus parentes, as que estão em melhor posição de tomar uma decisão", sobre o aborto, disse Obama.   O aborto foi legalizado em 1973 e, desde então, foi o ponto principal de divergência entre os setores conservadores, principalmente republicanos, e os liberais, a maioria deles democratas.   Saúde   Ambos também trocaram acusações sobre as respectivas propostas sobre a cobertura médica da população americana. Obama defendeu oferecer aos cidadãos dos EUA o mesmo tipo de cobertura que os parlamentares americanos recebem, através de negociações com as farmacêuticas e companhias de seguro e do investimento em tecnologias.   McCain propôs dar um crédito de US$ 5 mil para que os americanos de classe média e baixa possam gastar com planos de saúde. "Concederei um crédito fiscal de US$ 5 mil para que as pessoas possam comprar seus planos de saúde", disse o senador. Ele também criticou a proposta de Obama, de um sistema único, e que prevê multas para as empresas que violarem a cobertura de saúde de seus funcionários. "Obama diz que quer ter um sistema único, ele quer sobrecarregar o sistema", afirmou.   O senador por Illinois afirmou que sua intenção é isentar as pequenas e médias empresas do pagamento de seguros médicos a seus funcionários, mas não as grandes corporações. Além disso, criticou a proposta de McCain, afirmando que penaliza, sobretudo, os mais velhos, que não conseguiriam bons planos de saúde, enquanto os jovens teriam mais facilidade nesse sentido. "McCain vai taxar os benefícios de saúde das empresas. Uma apólice custa US$ 12 mil e você tem US$ 5 mil, isso não é um lucro", afirmou. "Tudo o que eu quero é cortar os custos", ressaltou o democrata.  

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