Vice de McCain tem na mira o eleitorado de Hillary Clinton

Sarah Palin coloca novamente as mulheres na corrida presidencial americana após a derrota da democrata

Agência Estado e Dow Jones,

29 de agosto de 2008 | 16h09

O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, fez uma tentativa direta de conquistar o voto dos partidários desapontados da senadora democrata Hillary Clinton, ao escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin, para ser a candidata a vice-presidente na sua chapa. Dois meses após a senadora Hillary admitir a derrota na nomeação do seu rival democrata Barack Obama, a escolha surpreendente de McCain coloca as mulheres novamente na corrida presidencial.   Veja também: Perfil: Sarah Palin enfrenta investigação no Alasca Perfil: McCain tenta ser o mais velho a ser eleito Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    A escolha de uma mulher pode complicar o cenário para os democratas, que passaram as últimas semanas tentando se unificar ao redor de Obama e superar a frustração com a derrota da senadora Hillary Clinton. Ela perdeu para Obama após uma dura disputa nas primárias, em meio a reclamações dos seus partidários de que a disputa foi injusta porque apenas metade dos votos das primárias anuladas do Michigan e da Flórida foram contados.   "É óbvio que esse é um cálculo para conquistar os eleitores insatisfeitos de Hillary, que poderão fazer a diferença nas eleições" de 4 de novembro, disse Susan Carroll, professora de ciências políticas e estudos sobre a mulher na Universidade Rutgers, Nova Jersey. "Eu acredito que isso trouxe uma questão real à situação".   A seleção de uma mulher veio de um partido que obteve menos sucesso que os democratas em conquistar o eleitorado feminino. Desde a década de 1980, as mulheres tendem a votar mais nos democratas, enquanto os homens tendem a favorecer os republicanos, de acordo com a cientista política Ruth Mandel, diretora do Instituto Eagleton de Políticos, em Rutgers.   "Um padrão consistente na eleição presidencial é que as mulheres tendem a votar mais nos democratas", disse Mandel. "A diferença tem sido de cinco pontos a nove pontos porcentuais, a favor dos democratas. Se isso mudar neste ano, será uma mudança em um padrão que se mantém há um quarto de século".   Os republicanos estão tentando. Na próxima quarta-feira, os discursos que serão feitos na convenção nacional do Partido Republicano, em St. Paul, Minneapolis, deverão contar com Carly Fiorina, a ex dirigente da Hewlett-Packard (HP), que agora atua como dirigente do Comitê Nacional Republicano, e Meg Whitman, a ex-dirigente do eBay Inc. No início desta semana Fiorina comandou uma coletiva de imprensa na qual alguns partidários de Hillary Clinton anunciaram apoio a McCain.   "Eu represento a voz de muitas mulheres que viraram democratas há vários anos porque sentiam que o partido representaria melhor seu avanço e seus interesses, mas desta última vez sentimos que as mulheres foram afastadas," disse Cynthia Ruccia, que recentemente renunciou a um cargo no Partido Democrata. "Eu gostei do respeito que John McCain demonstrou por Hillary Clinton e todas nós, partidárias da senadora, então acredito que ele fará mais que Barack Obama para avançar as reivindicações das mulheres. Obama tem uma cegueira total em relação às questões das mulheres com mais de 40 anos", disse.   McCain anunciou na manhã desta sexta-feira que a governadora do Alasca, Sarah Palin, de 44 anos, será candidata a vice-presidente na chapa republicana. Palin é a primeira mulher a governar o estado do Alasca e a segunda a ser candidata a vice-presidente nos EUA (a primeira foi a democrata Geraldine Ferraro, na década de 1980). Palin, uma fotogênica conservadora e evangélica, teve uma carreira controversa como governadora do Alasca, cargo que ocupa desde 2006. Em julho, o legislativo do Alasca aprovou a contratação de um investigador independente para verificar se Palin abusou da autoridade do cargo, após o seu ex-cunhado ter sido demitido de um cargo policial de importância no Estado. Na escola secundária, Palin foi Atleta de Cristo, fato na sua biografia que poderá ajudar a atrair o eleitorado conservador religioso. Palin é casada com um empresário da pesca, tem cinco filhos, é contra o aborto, a favor da pena de morte e tem a caça como hobby.

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