Vice de McCain tenta calar polêmica republicana em discurso

Palin é a principal oradora do 3.º dia da convenção ofuscada pelo furacão e revelações sobre o seu passado

Agências internacionais,

03 de setembro de 2008 | 08h15

A governadora do Alasca, Sarah Palin, dominou a convenção republicana sem fazer qualquer aparição pública por conta das suspeitas e contradições que estão se avolumando e têm ofuscado a mensagem da convenção do partido. Nesta quarta-feira, 3, a candidata a vice de John McCain discursará no terceiro dia do evento abreviado pela passagem do furacão Gustav e terá a oportunidade de falar aos eleitores americanos após a série de revelações dos últimos dias   Veja também: Em vídeo, Bush elogia McCain por apoiar Iraque Pesquisa mostra Obama com 50% dos votos  Blogs do Alasca criticam vice de McCain  Vice coloca em dúvida a seleção de McCain McCain recusou verba contra gravidez precoce  Galeria de fotos da convenção  Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    Desde que McCain anunciou publicamente a escolha de Palin, a governadora tem sido o centro de uma tempestade midiática. Críticos afirmam que a vida da governadora do Alasca não foi pesquisada de forma rigorosa e McCain tomou uma decisão impulsiva ao escolhê-la. Seu discurso, quando ela aceitará a nomeação, pode dar ao público a chance de avaliar sua familiaridade com assuntos políticos internos e externos. Ela pode ainda falar sobre a gravidez de sua filha de 17 anos e a investigação sobre abuso de poder da qual é acusada.   Na segunda-feira, Sarah anunciou a gravidez de sua filha Bristol, de 17 anos. O anúncio - e o fato de que Bristol se casará com o pai da criança - foi bem recebido pelos conservadores, principal base da governadora. Eles argumentam que o episódio comprova o respeito da governadora e de sua filha à vida do bebê. Mas outras revelações estão inquietando os republicanos. Sarah disse que contratou um advogado para representá-la no Alasca. Ela está sendo investigada por ter usado seu cargo de governadora para tentar demitir o ex-marido de sua irmã, um policial rodoviário. A campanha de McCain estaria fazendo de tudo para que o resultado da investigação não seja divulgado antes das eleições de novembro. Também foi divulgado que seu marido, Todd, foi preso por dirigir bêbado, há 20 anos. A revelação mais grave foi a de que Sarah teria apoiado o projeto de lei da "Ponte para o Nada", uma das principais bandeiras do senador McCain contra o desperdício de dinheiro público. Antes de opor-se publicamente ao projeto, ela apoiou o pedido de US$ 223 milhões para a ponte entre as cidades de Ketchikan e Ilha Gravina, no Alasca. Sarah também contratou lobistas para assegurar a liberação de verbas federais - no valor de US$ 27 milhões - para a cidade de Wasilla, onde ela era prefeita. Acabar com leis que dão verbas para projetos locais, muitas vezes desnecessários, é um dos principais motes da campanha de McCain. E ele retratou Sarah como uma reformista, inimiga ferrenha da liberação de verbas para interesses específicos e desperdício de recursos públicos.   Foi divulgado um discurso que Sarah fez na igreja da Assembléia de Deus em Wasilla, onde ela afirmou a estudantes que a guerra do Iraque era uma missão de Deus. Também foi publicado que Sarah teria sido integrante do Partido da Independência do Alasca, que prega a secessão do Estado. Mas a campanha de McCain nega. Vários jornais e TVs mandaram equipes para o Alasca para vasculhar a vida da governadora.   Distância segura   A campanha republicana ainda conta com outra dificuldade: contar com o apoio do presidente George W. Bush e ao mesmo tempo dissociar a imagem do candidato com o impopular chefe de Estado. Em um pronunciamento realizado por vídeo, a partir da Casa Branca, o presidente Bush, afirmou que John McCain aprendeu "as lições de 11 de setembro de 2001, que para proteger a América, devemos ficar na ofensiva, impedir ataques antes que eles aconteçam, e não esperar que eles voltem a acontecer".   Segundo a BBC, Bush apareceu sozinho na Casa Branca, detrás do púlpito presidencial, para assegurar que o homem que venceu na indicação republicana há oito anos deve ser seu sucessor. Ninguém na campanha de McCain admitirá publicamente, mas muitos aqui respiraram aliviados que o último discurso de um presidente impopular tenha sido conduzido remotamente. Certamente não foi coincidência que o discurso de Bush tenha terminado justo quando as emissoras de TV começavam a transmitir a convenção ao vivo.   Depois de Bush, foi a vez do ex-senador e candidato derrotado à indicação republicana para a Presidência dos Estados Unidos, Fred Thompson, subir ao palco. Thompson empolgou a platéia republicana em sua defesa de McCain e com suas tiradas contra o rival democrata Barack Obama. Thompson ironizou a candidatura de Obama dizendo que ela é "histórica". E acrescentou: "histórica no sentido de que nunca houve um candidato tão à esquerda e tão inexperiente".   O senador democrata Joe Lieberman, que foi companheiro de chapa de Al Gore, também discursou no evento e brincou que muitos deveriam estar se perguntando: "O que um democrata como eu está fazendo em uma convenção republicana como esta?" Para em seguida responder que estava ali, porque "o país importa mais do que o partido". Lieberman ainda pertence ao Partido Democrata, mas vem fazendo campanha por McCain devido à oposição democrata à guerra do Iraque.   Mas os comentários inflamados e os vários elogios ao suposto heroísmo de John McCain, por pouco não foram ofuscados por novas polêmicas envolvendo a governadora Sarah Palin, e até mesmo por uma gafe ligada à candidata a vice. Como mostra de que Palin ainda é uma desconhecida até mesmo para a alta cúpula republicana, a vice líder do Comitê Nacional do partido, Jo Ann Davidson, chegou a errar o nome da companheira de chapa de McCain, chamando-a de Sarah Pawlenty, o mesmo sobrenome do governador de Minnesota, Tim Pawlenty, que estava muito cotado para ser o vice de McCain.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, BBC Brasil e Reuters)

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