John G. Mabanglo/EFE
John G. Mabanglo/EFE

Vídeo da polícia atirando em um jovem negro desarmado gera protestos em Sacramento

O rapaz de 22 anos, que tinha dois filhos, recebeu 20 tiros

Reuters

23 Março 2018 | 03h39

SACRAMENTO - Novos vídeos divulgados da polícia matando um homem negro desarmado com vários tiros em Sacramento, Califórnia, deixaram o prefeito "horrorizado" e provocaram protestos nas ruas, bloqueando o tráfego na capital do estado por horas na quinta-feira, 22.

A polícia disse que o vídeo, captado por uma câmera junto ao corpo de um dos policiais envolvidos no confronto de domingo à noite, mostrou a vítima, Stephon Clark, de 22 anos, segurando um objeto que mais tarde se soube que era um celular, no momento em que foi baleado 20 vezes.

O vídeo foi divulgado pela polícia no final da quarta-feira, 21, rapidamente se tornando um viral na internet.

O tiroteio de domingo, 18, foi o mais recente de uma série de assassinatos de homens negros desarmados pela polícia nos Estados Unidos desde 2014, o que desencadeou um debate nacional sobre o preconceito racial no sistema de justiça criminal e o uso de força letal.

Mais de 200 manifestantes se reuniram na quinta-feira para denunciar o tiroteio em um protesto organizado pelo movimento "Black Lives Matter". Os protestos foram pacíficos e a polícia permitiu que um grupo de manifestantes marchasse em uma rodovia no auge da hora do rush, bloqueando todas as pistas de acesso ao sul da cidade.

O trânsito ficou interrompido por horas na rodovia e em grande parte do centro da cidade. A multidão então marchou para o prédio do Capitólio do Estado, antes de se concentrar em frente à arena de basquete Golden 1 Center, impedindo que muitos torcedores assistissem a um jogo da NBA entre o Sacramento Kings e o Atlanta Hawks.

"É a perda de uma noite de divertimento para mim, mas essa família vai sentir essa perda para sempre", disse Frank Andersen, um aposentado de 70 anos, enquanto voltava com a esposa até o seu carro.

+++ O que é ser um jovem negro americano hoje?

Os Kings emitiram um comunicado pedindo que os fãs voltassem para casa e prometeram reembolsar os ingressos.

Horas antes, o prefeito Darrell Steinberg disse aos repórteres que ficou chocado com o vídeo do tiroteio.

"Como qualquer pessoa com compaixão, fiquei horrorizado com a morte de um jovem de Sacramento, que mais tarde descobrimos que tinha dois filhos", disse Steinberg em entrevista coletiva. "Qual foi a minha reação? Isto foi horrível."

Manifestantes entraram na prefeitura durante o dia gritando "É um telefone, não uma arma" e exigiram falar com o chefe de polícia.

A polícia de Sacramento disse que o tiroteio aconteceu após um relato de alguém quebrando janelas de carros em uma área residencial, onde os policiais encontraram três veículos danificados. A polícia afirmou que o suspeito também foi visto de um helicóptero quebrando uma porta de vidro de uma casa antes de pular uma cerca para um quintal ao lado.

Os vídeos das câmeras que os policiais trazem junto ao corpo mostram dois policiais perseguindo Clark no escuro com suas lanternas e o confrontando em um quintal, gritando: "Mostre-me suas mãos" e "arma" antes de abrirem fogo.

Os policiais viram Clark "avançar com os braços estendidos e segurando um objeto", que eles erroneamente acreditavam ser uma arma, disse a polícia.

Os oficiais esperaram cinco minutos após o tiroteio até que o reforço chegasse antes de se aproximarem de Clark para ajudá-lo.

O fato ocorreu atrás da casa dos avós de Clark, onde ele estava hospedado, de acordo com o jornal Sacramento Bee, que falou com seus parentes.

Promotores de Sacramento estão investigando o incidente. / Reuters

 

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