Vitória de Obama encorajaria inimigos dos EUA, diz McCain

Candidato republicano diz que não seria testado pelos terroristas, que atacariam futuro governo democrata

Agências internacionais,

23 de outubro de 2008 | 08h23

 O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, afirmou em entrevista à CNN que as posições do rival Barack Obama para a política externa poderiam encorajar os inimigos da América a testá-lo nos primeiros dias de um futuro governo democrata. Procurando algum deslize do concorrente para subir nas pesquisas - ele permanece cerca de 7 pontos atrás -, McCain afirmou durante comício na Pensilvânia que a Presidência dos EUA não é lugar para alguém "inexperiente". "O próximo presidente não terá tempo de se adaptar ao cargo", disse o republicano. "Eu já fui testado."  Veja também:Site ligado à Al-Qaeda apóia John McCain Partido gastou US$ 150 mil em roupas para PalinVitória de McCain colocaria EUA em 'risco', diz ObamaConfira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA O candidato democrata recolocou a segurança nacional como tema principal da sua campanha. Após se reunir ontem no Estado de Virgínia com sua equipe de campanha e com Joe Biden, vice de sua chapa, Obama disse que o assunto não pode ser tratado em separado da economia. "Não podemos nos dar ao luxo de ter outro presidente que ignore completamente a economia, gerando um déficit recorde para manter uma guerra sem fim no Iraque", disse o democrata. "Aparentemente, o mundo não parou só por causa da campanha americana. Por isso, não podemos deixar de lado assuntos urgentes, como a luta contra o terrorismo, o crescimento da China e as duas guerras em que estamos", acrescentou.  Na entrevista à CNN, McCain afirmou que Obama estava errado sobre a insurgência no Iraque. "Ele ainda não admite que estava errado... Ele errou quando disse que a Geórgia deveria mostrar contenção; quando disse que sentaria numa mesa com (o presidente iraniano Mahmoud) Ahmadinejad, (o presidente venezuelano Hugo) Chávez e com Fidel Castro. Então, posso entender os motivos que podem deixar o povo americano preocupado". "E acredito que isso provavelmente encorajaria os inimigos um pouco, já que o senador errou", afirmou o republicano, dizendo que ele não correria esse risco. McCain ainda minimizou o apoio de Colin Powell, ex-secretário de Estado do presidente George W. Bush, ao rival, afirmando que cinco ex-secretário de Estado endossaram a campanha republicana. A apenas duas semanas das eleições, Obama tenta tirar proveito do apoio recebido no domingo do general da reserva Colin Powell. O apoio foi considerado um golpe para McCain exatamente pelo aval de um militar experiente à candidatura do rival. A mudança de enfoque democrata ocorre também depois que o democrata conseguiu se consolidar na liderança das pesquisas de intenção de voto em razão da crise financeira. Para a maioria dos americanos, ele é mais bem preparado em questões econômicas do que McCain. A único vantagem do republicano, até o momento, parece ser a política externa. Recolocar o assunto na campanha, de acordo com analistas, é uma estratégia de Obama para tentar rebater o argumento de que ele não tem experiência suficiente para ser comandante-chefe do Exército americano.  McCain é risco Obama afirmou naarta-feira que a eventual eleição de seu rival, o republicano John McCain, vai "arriscar" a segurança dos EUA. Segundo ele, o próximo presidente vai enfrentar "testes" na área da segurança por causa das "políticas ruins" do presidente George W. Bush. De acordo com a BBC, as provocações de McCain vieram depois de o vice de Obama, Joe Biden, ter declarado no final de semana que o democrata poderia enfrentar "uma grande crise internacional para testá-lo". Biden tentava comparar Obama ao presidente John Kennedy na crise da Baía dos Porcos.  Em ataques diretos ao rival, Obama disse a repórteres que o republicano "muitas vezes faz floreios retóricos". "O seu ponto principal é de que o próximo governo dos EUA será testado, não importa quem vença as eleições. Mas a questão é se o novo presidente vai enfrentar estes testes levando a América em uma nova direção, mandando ao mundo um sinal claro de que estamos longe da arrogância, do unilateralismo e da ideologia".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.