Wal-Mart alerta funcionários para 'riscos' de Obama vencer

Rede varejista adverte que vitória do democrata pode facilitar a sindicalização de trabalhadores, diz jornal

Agência Estado,

01 de agosto de 2008 | 18h14

A varejista Wal-Mart - empresa privada com maior número de funcionários nos Estados Unidos - está mobilizando gerentes de lojas e supervisores de departamentos em suas unidades nos Estados Unidos para advertir os funcionários da empresa que uma eventual vitória do candidato democrata Barack Obama nas eleições presidenciais de novembro provavelmente resultará em uma mudança na lei federal, visando a facilitar a sindicalização dos trabalhadores, informou o The Wall Street Journal em reportagem publicada nesta sexta-feira, 1.   Veja também: Obama se esquece da América Latina, diz anúncio de McCain Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Nas últimas semanas, milhares de gerentes de lojas e departamentos do Wal-Mart foram convocados a reuniões obrigatórias nas quais a direção da companhia enfatizou os aspectos negativos da sindicalização para os trabalhadores.   De acordo com mais de dez funcionários do Wal-Mart que participaram dessas reuniões, os executivos da companhia que os funcionários sindicalizados teriam de pagar contribuições sindicais sem ganhar nada em troca e poderiam entrar em greve sem nada em compensação. Além disso, a sindicalização poderia significar menos empregos por causa do aumento dos encargos trabalhistas.   A ação do Wal-Mart reflete a visão entre os donos de grandes negócios de que um eventual revigoramento do movimento trabalhista reverteria anos de queda nas filiações a sindicatos, o que geraria aumento da folha de pagamento e das despesas com saúde, em um momento em que a economia americana é afetada pelo aumento do preço dos combustíveis e dos preços dos alimentos em meio a um ambiente econômico negativo.   O gerentes de recursos humanos do Wal-Mart que conduziram as reuniões não disseram explicitamente em quem os funcionários deveriam votar em novembro, mas deixaram claro que a opção pelo candidato democrata representaria o mesmo que um convite a uma maior atuação dos sindicatos, disseram funcionários que participaram desses encontros em Maryland, Missouri e outros cinco Estados americanos.   "O condutor da reunião disse: 'não estou dizendo a vocês em quem devem votar, mas se os democratas ganharem, esse projeto de lei vai passar e vocês não poderão votar se querem ou não um sindicato", disse uma supervisora que participou de uma reunião no Missouri. "Não sou burro. Eles estavam, sim, tentando me dizer em quem votar."   "Se qualquer pessoa representando o Wal-Mart deu a impressão de estar dizendo a seus associados como votar, essa pessoa agiu errado e sem aprovação", disse David Tovar, porta-voz da rede de supermercados. Ele admitiu, no entanto, que estavam sendo realizadas reuniões com gerentes e supervisores de lojas e departamentos em todo o país.   Lei de Livre Escolha   O Wal-Mart teme pela aprovação de um projeto legislativo conhecido como Lei de Livre Escolha do Funcionário. As empresas alegam que, se aprovada, a lei ajudaria os sindicatos a conseguirem rapidamente milhões de adesões.   "Nós acreditamos que a Lei de Livre Escolha do Funcionário é um projeto ruim e já há algum tempo nos opomos abertamente a ela", disse Tovar. "Consideramos que educar nossos associados sobre o projeto é a coisa certa a se fazer."   Outras companhias também fazem campanha contra o projeto de lei entre seus funcionários. É o caso da Cintas Corp., que possui um site na internet para disseminar sua oposição à idéia.   A Câmara do Comércio dos Estados Unidos faz do combate ao projeto de lei uma prioridade e têm promovido anúncios na televisão como parte de uma ampla campanha.   O projeto de lei é qualificado pelos sindicalistas como uma resposta à agressividade da oposição das empresas à organização sindical. A AFL-CIO e outros sindicatos prometem fazer da aprovação da lei sua missão prioritária depois das eleições.   O projeto de lei foi apresentado em 2003 e chegou a passar pela Câmara dos Representantes dos EUA, mas parou no Senado e enfrentou uma ameaça de veto pela Casa Branca. O projeto foi retirado da pauta e os promotores prometeram trazê-lo de volta à tona quando houvesse mais apoio.   Partidários e oponentes do projeto de lei acreditam que a aprovação facilitaria a sindicalização. Atualmente, as empresas podem exigir que os funcionários promovam votações secretas para decidir se desejam ou não sindicalizar-se. Essas votações costumam ser antecedidas por meses de estridentes campanhas tanto por parte dos empregadores quanto dos sindicatos.   O novo projeto proibiria as empresas de insistir na votação secreta e permitiria aos sindicatos abordar os trabalhadores por um período de semanas ou meses, dando tempo suficiente para a busca por apoio à sindicalização.   Presença dos sindicatos   O Wal-Mart tem um histórico de combate à presença dos sindicatos em suas lojas. A empresa possui inclusive uma equipe de resposta rápida em sua sede em Bentonville, no Estado de Arkansas, para fazer frente a atividades sindicais onde quer que elas se formem.   Há alguns anos, quando uma loja da rede no Canadá votou pela sindicalização, a Wal-Mart optou por fechá-la sob a alegação de que não era lucrativa. Os sindicatos respondem com campanhas nas quais retratam a Wal-Mart como uma empresa que trata mal os funcionários. As informações são da Dow Jones.

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