Wall Street lidera financiamento de candidatos, diz ONG

Três bancos estão entre os dez maiores doadores de Obama; do lado de McCain são seis instituições financeiras

Luiz Raatz, estadao.com.br

04 de novembro de 2008 | 07h07

A crise que assola Wall Street não a impediu de financiar parte da campanha de Barack Obama e a de John McCain. Segundo levantamento da ONG Center for Responsive Politics (CRP), baseado em dados públicos declarados pelos candidatos à Comissão Eleitoral, três bancos estão no ranking dos dez maiores doadores individuais declarados do democrata. Do lado republicano, seis instituições financeiras estão no 'top ten' de financiadores. Estas doações são feitas por pessoas físicas, que trabalham nestas empresas, e deram mais de US$ 200 para cada candidato.  Veja também:Estadao.com.br na terra dos ObamasDiário de bordo da viagem ao Quênia Confira os números das pesquisas nos EstadosObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA Ao contrário do Brasil, nos EUA a doação de pessoas jurídicas, sejam empresas ou sindicatos, é proibida por lei desde 1907. Obama recebeu US$ 2, 036 milhões de funcionários do Goldman Sachs, JP Morgan Chase e do Citigroup. McCain ganhou US$ 1,529 milhão de empregados do Merryl Linch, Citigroup, Morgan Stanley, Goldman Sachs, JP Morgan e Credit Suisse.  De acordo com o diretor de comunicação do CRP, Massie Ritch, funcionários de bancos de Wall Street tradicionalmente estão no topo da lista de doadores em campanhas eleitorais. "Esta participação coloca a questão se, em um momento de crise, eles farão pressão contra uma maior regulamentação de suas atividades", diz. Obama, a máquina de arrecadação Esta campanha é a mais cara da história, e Obama, o maior arrecadador. Enquanto a disputa de Kerry Contra Bush custou US$ 717 milhões, este ano os candidatos já gastaram US$ 1,324 bi. O democrata conseguiu juntar quase o dobro de dinheiro do rival com uma estrutura de arrecadação baseada em pequenas doações e na internet. No total, Obama arrecadou US$ 640 milhões. Em 2004, o democrata John Kerry e George W. Bush, que concorria à reeleição, receberam, juntos, US$ 695.708 milhões. McCain tem até agora US$ 360 milhões. "Embora ainda consiga dinheiro de grandes doadores, Obama teve arrecadações menores que US$ 200 em níveis que nunca tínhamos visto. Grande parte de sua equipe de voluntários é jovem, e por isso consegue doações pela internet", explica Ritch.  Segundo o CRP, 48,3% das doações do democrata vêm de pessoas que deram menos de US$ 200. Outros 32,6% deram até US$ 2.300, e 9,8% contribuíram com o teto de doações, de US$ 4.600. McCain por sua vez depende mais de grandes doadores. Ainda de acordo com a ONG, 16,6% de sua renda vem de quem de US$ 2.300 a US$ 4.600. Outros 49,7% deram quantias que variam entre US$ 200 e US$ 2.300. Os chamados 'pequenos doadores' constituem 33,6% da renda de McCain. Califórnia, Nova York, Massachussets e Illinois, Estados tradicionalmente democratas, correspondem a 43% do financiamento do democrata. Na campanha de McCain, Califórnia, Nova York, Texas e Flórida garantiram 39% do financiamento do republicano.

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