111 países adotam tratado que proíbe bombas de fragmentação

Acordo foi negociado sem participação de principais produtores, como EUA e Israel, que se opõem à proibição

Agências internacionais,

30 de maio de 2008 | 09h05

Diplomatas de 111 países adotaram formalmente o acordo internacional que proíbe o uso de bombas de fragmentação. O documento prevê que os signatários concordaram em proibir, sob qualquer circunstância, o uso, desenvolvimento, fabricação, aquisição e armazenamento desse tipo de munição, cujas vítimas são majoritariamente civis. Eles aceitaram ainda que, nos próximos oito anos, financiarão programas para limpar campos de batalha onde haja cápsulas dormentes do armamento. O presidente das negociações, o irlandês Daithi O'Ceallaigh, encerrou as negociações iniciadas há 12 dias. As chancelarias fizeram apelos para que os países que fabricam essas armas - em especial os Estados Unidos - acatem o documento. As nações que aprovaram o documento o assinarão em dezembro em Oslo, capital da Noruega. O acordo entra em vigor em meados de 2009. As munições de fragmentação se abrem sobre o solo e espalham centenas de "bombinhas" numa ampla área. Muitas vezes deixam de explodir quando são lançadas, o que as transforma numa espécie de mina terrestre capaz de mutilar e matar curiosos, muitas vezes crianças. Além disso, muitas dessas cápsulas não explodem imediatamente, ficando dormentes por meses ou anos e ameaçando civis que circulam pelas áreas atacadas tempos depois do término dos conflitos nos quais esses armamentos são empregados. Para piorar, as cores chamativas das bombas atraem a atenção de crianças, tornando-as vítimas comuns desses artefatos. Na quarta-feira, a Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que a abolição dessas armas colocaria em risco a vida de seus soldados e seus aliados. "Embora os EUA compartilhem das preocupações humanitárias dos que estão em Dublin, as munições de fragmentação já demonstraram sua utilidade militar", disse o porta-voz Tom Casey.  Além da promessa britânica de rever o uso dessas armas, o que fortalece o tratado, a França já havia anunciado sua intenção de abrir mão de um tipo de munição que responde por 90% dos seus arsenais de bombas de fragmentação.

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