7,5 mil homens foram mortos em Srebrenica em 1995

Em 5 dias, forças servo-bósnias mataram milhares de muçulmanos no pior massacre da Guerra da Bósnia

BBC,

21 de julho de 2008 | 20h54

No verão de 1995, dois anos depois de ser classificada pelas Nações Unidas como uma área segura, a cidade bósnia de Srebrenica presenciou o pior episódio da Guerra da Bósnia. Nesta segunda-feira, 21, o ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic, indiciado pelo genocídio de pelo menos 7,5 mil homens neste enclave muçulmano, foi preso. Veja os momentos críticos do massacre:   Veja também: Quem é Radovan Karadzic Sérvia anuncia prisão de Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs   6-8 de julho de 1995: Militares servo-bósnios cercam o enclave de Srebrenica, onde dezenas de milhares se refugiavam de uma ofensiva sérvia no norte da Bósnia.   Eles estavam sob proteção de cerca de 600 homens da infantaria holandesa. O combustível estava acabando e comida fresca não chegava à região desde maio.   As forças sérvias começam bombardeando Srebrenica. Militantes bósnio-muçulmanos na cidade pediram de volta as armas que haviam entregado às forças de paz da ONU, mas o pedido foi negado.   O comandante holandês pediu suporte aéreo aos escritórios da ONU em Sarajevo após bombardeios e foguetes que estavam sendo lançados próximos aos centros de refugiados.   9 de julho de 1995: As forças servo-bósnias aumentam os ataques e milhares de refugiados deixam a cidade e vão para campos ao sul diante do avanço sérvio, que tinha atacado um ponto de observação holandês, mantendo 30 soldados como reféns. Um capacete azul da ONU ficou ferido quando bósnio-muçulmanos atiravam contra tropas holandesas que recuavam.   10 de julho de 1995: O comandante holandês Karremans entregou um pedido formal à ONU pedindo suporte aéreo, após forças servo-bósnias atacarem posições holandesas. A ONU inicialmente negou, mas concordou após outro pedido do coronel. Os ataques sérvios pararam antes que os aviões chegassem e os bombardeios foram postergados.   11 de julho de 1995: Os homens sérvios não se retiravam. Às 9 horas, o coronel Karremans recebeu a informação de Saravejo de que seu pedido para suporte aéreo foi enviado de forma errada.   Às 10h30, o pedido foi reenviado e chegou ao general Janvier, mas os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tinham retornado à base na Itália para reabastecimento, após voarem desde às 6 horas. Ao meio dia, mais de 20 mil refugiados - a maioria mulheres, crianças e doentes - fogem para a principal base holandesa em Potocari.   Às 14h30, dois aviões F-16 holandeses lançaram duas bombas em posições sérvias que rendiam Srebrenica. Em resposta, os sérvios ameaçaram matar os reféns holandeses e atacar refugiados, provocando a suspensão de futuro ataques.   O comandante servo-bósnio Ratko Mladic entrou em Srebrenica duas horas depois, acompanhado de equipes de cinegrafistas sérvios. Na manhã, o general Mladic se reuniu com o coronel Karremans, onde lançou um ultimato para que os muçulmanos entregassem as armas para garantir suas vidas.   12 de julho de 1995: Ônibus chegaram para levar mulheres e crianças para um território muçulmano, enquanto sérvios começavam a separar todos os homens de idade entre 12 e 77 anos para "interrogatórios sob suspeita de crimes de guerra."   Segundo estimativas, 23 mil mulheres e crianças foram deportadas nas 30 horas seguintes. Cerca de 15 mil bósnio-muçulmanos tentaram escapar de Srebrenica e foram atacados enquanto fugiam pelas montanhas.   13 de julho de 1995: Acontece o primeiro massacre de muçulmanos desarmados em um armazém próximo à uma vila em Kravica. As forças de paz entregaram cerca de 5 mil muçulmanos que se abrigavam em uma base holandesa em Potocari. Em troca, os servo-bósnios libertaram os 14 reféns holandeses das forças de paz que estavam sendo mantidos em uma base de Nova Kasaba.   16 de julho de 1995: Primeiras informações do massacre apareceram quando os primeiros sobreviventes de uma longa marcha vinda de Srebrenica começou a chegar em território controlado por muçulmanos.   Após negociações entre a ONU e servo-bósnios, foi permitido aos holandeses sair de Srebrenica, deixando armas, comida e suprimentos médicos. Nos cindo dias que as forças servo-bósnias invadiram Srebrenica, estima-se que pelo menos de 7,5 mil homens muçulmanos foram mortos.

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