A atuação globalizante dos EUA com os europeus

Não é por acaso que agenda de Hillary inclui encontros com membros da Otan e o governo da Rússia

Gilles Lapouge, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2009 | 07h53

Concluída sua viagem pelo Oriente Médio, Hillary Clinton desembarcou na quinta-feira, 5, em Bruxelas, onde se reuniu com seus homólogos da Otan. No sábado, segue para Genebra, onde se encontrará com o chanceler russo, Serguei Lavrov. Nada é por acaso esse programa. Os americanos perseguem três objetivos, aparentemente discordantes, mas ligados. Em primeiro lugar, deixar claro que os EUA de Barack Obama, contrariamente a George W. Bush, respeitam seus aliados, especialmente a Europa. Segundo, tornar a Otan mais dinâmica. E por último, reencontrar o caminho e talvez a amizade de Moscou.   É o capítulo russo que predomina. Desde que assumiu o cargo, Obama tem tranquilizado Moscou. E deve acabar com a desavença provocada pela invasão da Geórgia, ordenada pelo presidente Dmitri Medvedev. Já está sendo anunciada uma sessão extraordinária Otan-Rússia, cujos trabalhos foram paralisados pelos 26 países aliados, para condenar a intervenção russa na Geórgia.   Obama enviou uma carta a Medvedev em fevereiro. O assunto: resolver o psicodrama do escudo antimíssil, que os EUA querem instalar no Leste Europeu e deixou os russos "enlouquecidos". Na carta, Obama explicou que os EUA buscam se proteger do Irã. Acrescentou que, se a Rússia se dispuser a trabalhar com Washington, isso poderá forçar os iranianos a serem mais sensatos. No caso, o escudo já não seria necessário. Os russos responderam vagamente, mas não fecharam a porta.   Os americanos querem igualmente fortalecer a Otan. É isso que vai dar brilho à reunião de cúpula marcada para o início de abril em Estrasburgo. A França provavelmente anunciará seu retorno à aliança, após meio século de desavença. Serão acolhidos novos membros? Sem dúvida, a Albânia. A Croácia, talvez.   Por outro lado, Ucrânia e Geórgia continuarão batendo na porta. E ela não será aberta. Qual a razão? Porque esses dois países estão na antessala da Rússia. Aceitar seu ingresso na Otan alimentaria a impressão de "cerco" que os russos estão sentindo. Aliás, foi para impedir a entrada da Geórgia na Otan que a Rússia lançou sua violenta operação contra o país no ano passado.   É cedo para um prognóstico sobre a diplomacia de Obama. Mas ela é de grande visão, preocupada com os equilíbrios e interações que se formam entre as grandes zonas do mundo e no âmbito de cada uma dessas zonas.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.