Absolvido, ex-preso de Guantánamo chega à França

Argelino Lakhdar Boumediene havia sido detido em 2001; gesto simbólico demonstra cooperação com Obama

Agências internacionais,

15 de maio de 2009 | 17h12

O argelino Lakhdar Boumediene, ex-detido da prisão americana de Guantánamo declarado inocente pela justiça do país, chegou à França nesta sexta-feira, 15, onde agora residirá, anunciou o ministério das Relações Exteriores francês. Paris concordou em receber o ex-preso em um gesto simbólico de cooperação com o governo do presidente Barack Obama, que após anunciar o fim da detenção enfrenta o desafio de como libertar os cerca de 240 prisioneiros.

 

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Boumediene havia sido preso com outros cinco argelinos na Bósnia, em 2001, e levado para Guantánamo no ano seguinte. Ele era suspeito de ter participado de um atentado contra uma embaixada americana em Sarajevo. Até agora, a França não se mostrou disposta a receber outros ex-prisioneiros dos EUA.

 

O ex-detido foi absolvido de todas as acusações de terrorismo por um juiz federal americano. Em greve de fome desde dezembro de 2006, foi alimentado à força duas vezes por dia por meio de sonda gástrica. Sua mulher e suas filhas, de 9 e 13 anos, que se refugiaram na Argélia após a prisão, também serão recebidas na França.

 

A soltura aconteceu no mesmo dia em que Obama anunciou a retomada das comissões militares responsáveis pelo julgamento de suspeitos de terrorismo em Guantánamo, mas com novas reformas nas regras para preservar os direitos dos detidos.

 

O presidente americano disse que os tribunais da base militar americana em Cuba seriam uma opção para o julgamento dos suspeitos presos lá após a implantação de várias modificações no regulamento, incluindo o veto a declarações obtidas sob interrogatório severo e tornando mais difícil o uso de depoimentos não gravados.

 

O governo também pediu pelo adiamento de 90 dias nos processos em Guantánamo a fim de dar tempo para as novas regras entrarem em vigor. As mudanças no regulamento precisam ser apresentadas ao Congresso 60 dias antes de se tornarem efetivas. Essa foi a segunda decisão em menos de uma semana a desagradar partidários de Obama, que acreditaram que suas promessas encerrariam os tribunais de crimes de guerra de Guantánamo.

 

Obama, que assumiu o poder em janeiro, prometeu fechar a prisão da baía de Guantánamo até 2010. A prisão foi estabelecida em 2002 para abrigar prisioneiros da guerra dos EUA contra o terrorismo, declarada pelo presidente George W. Bush após os ataques de 11 de setembro de 2001.

 

No começo da semana, o presidente americano decidiu se posicionar contra a divulgação de fotos de supostos abusos de prisioneiros, revertendo uma promessa anterior. Obama afirmou que as fotografias poderiam colocar em risco os soldados americanos no exterior.

 

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