Ação turca seria 'sério precedente', diz vice-premiê iraquiano

Em entrevista à BBC, Barham Saleh diz que invasão poderia arrastar outros países para o conflito

Agências internacionais,

16 de outubro de 2007 | 17h41

Uma ação unilateral da Turquia contra rebeldes curdos no norte do Iraque pode ter "conseqüências muito graves" para a região, disse o vice-primeiro-ministro iraquiano Barham Saleh.  Veja também:Premiê espera que ação não seja necessária Iraque convoca gabinete para discutirTensão eleva petróleo e afeta bolsasEntenda o conflito entre turcos e curdos no norte do Iraque   Em entrevista à BBC, o político iraquiano alertou que uma eventual invasão de tropas turcas seria um fator de desestabilização que poderia arrastar outros países fronteiriços para o conflito.  A Turquia afirma ter perdido a paciência para lidar com os rebeldes curdos, que seriam os responsáveis pela morte de 15 soldados turcos nas últimas duas semanas. Segundo Ancara, os militantes estariam baseados no norte do Iraque, onde teriam transito livre para se organizar.  Na segunda-feira, o governo turco oficializou um pedido parlamentar para uma operação contra membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo) no norte do Iraque.  "A boa vontade da Turquia não produziu resultados até agora", disse o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que acusou os governos de Washington e de Bagdá de não terem feito o suficiente para frear os ataques contra o Exército turco por parte do PKK. Temendo os efeitos de uma eventual escalada no conflito, o governo iraquiano enviou o vice-presidente Tareq Hashemi ao país vizinho nesta terça-feira.  Depois de se reunir membros do gabinete turco em Ancara, o Hashimi expressou sua esperança de convencer as autoridades turcas para que tratem do problema do PKK em conjunto e por meio de diálogo. "O objetivo principal é dar uma chance à diplomacia nesta situação tão crítica", disse o líder à imprensa. Efeitos desestabilizadores Na entrevista à BBC, Saleh disse que qualquer operação de invasão pode ter efeitos desestabilizadores.  "Qualquer violação de fronteira pelos militares turcos será um terrível precedente para todos", disse o vice-premiê. "Se a Turquia, como um país vizinho, dá-se o direito de intervir militarmente no Iraque, como iremos prevenir que outros vizinhos não tomem decisões semelhantes?" O pedido turco de autorização para uma intervenção militar no conflituoso país vizinho deve ser aprovada sem grandes problemas, já que o partido do governo, o AKP, conta com uma grande maioria no Congresso e com o apoio dos principais partidos da oposição nesse projeto. Erdogan, no entanto, destacou nesta terça-feira que a eventual concessão da autorização não implica em uma invasão ao Iraque de forma imediata. "O que é necessário será feito quando necessário, assim que chegar o momento e as condições forem as ideais. A organização terrorista (do PKK) é o único alvo", acrescentou o primeiro-ministro. Organização terroristaEm declarações após o encontro com políticos turcos, Hashimi reiterou que Bagdá considera o PKK uma organização terrorista e disse que "os governos iraquiano e turco podem resolver seus problemas com um acordo conjunto", acrescentando que uma possível solução trará benefícios para os dois países.  Enquanto isso, em Bagdá, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, reuniu seu gabinete de crise em caráter de urgência para abordar a tensa situação na fronteira com a Turquia. "O governo iraquiano está interessado em acabar com a crise com a Turquia. Além disso, deseja estabilidade e segurança nos Estados vizinhos", declarou Maliki em comunicado.U

Tudo o que sabemos sobre:
TurquiacurdoscurdistãoIraque

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.