Acordo para retirada russa 'é um passo adiante', diz Geórgia

Plano definido entre UE e Moscou é início do cessar-fogo, diz Saakashvili; bloco reitera compromisso com Tbilisi

Agências internacionais,

08 de setembro de 2008 | 19h10

A Geórgia pode contar com a "solidariedade" e o "compromisso" da União Européia (UE) "nos momentos difíceis", declarou nesta segunda-feira, 8, o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Barroso. Ao mesmo tempo, o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, anunciou que o cessar-fogo definido entre a Presidência da UE - representada pela França - e a Rússia nesta segunda é um "passo adiante para a completa implementação do acordo de seis pontos negociado pelo presidente [francês, Nicolas] Sarkozy em 12 de agosto."   Veja também: EUA cancelam acordo de cooperação nuclear com Moscou Rússia e UE definem acordo para retirada de tropas da Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia   Em Moscou, o lider francês pressionou a Rússia nesta segunda-feira para honrar seu compromisso de retirar as tropas da Geórgia. O líder francês advertiu que o bloco está unido sobre a questão.   Diante de Sarkozy, o governo russo se comprometeu a cumprir o cessar-fogo e retirar todas as suas forças das regiões próximas às províncias separatistas de Abkházia e Ossétia do Sul. A Rússia aceitou a presença de observadores da UE nos enclaves, mas, em troca, exigiu garantias de segurança para ambas as províncias o início de um debate internacional sobre a situação no Cáucaso. Entretanto, o plano não prevê a diminuição da presença das forças russas nas regiões separatistas.   Saakashvili ressaltou que o acordo deve respeitar a integridade territorial de seu país. "Não há chances da Geórgia recuar nem um centímetro de sua soberania, que é um pedaço de seu território", afirmou. "Para nós, as tropas russas não são forças de paz, mas de ocupação. A retirada será o começo do cumprimento do plano de cessar-fogo", continuou.   Após se encontrar com Medvedev, o presidente francês desembarcou em Tbilisi, capital georgiana, acompanhado de seu ministro de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner, de Barroso e do alto representante de Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana.   "Não estamos no fim da estrada. Isso é uma realidade, estamos avançando pouco a pouco", anunciou o presidente da França. Segundo ele, os observadores da UE poderão obter o direito de entrar nas regiões separatistas. "A União Européia está com a Geórgia, respalda sua integridade e condena o reconhecimento por parte da Rússia de Abkházia e Ossétia do Sul, que para nós sempre será parte da Geórgia", ressaltou.   Sarkozy destacou ainda que se as forças russas não deixarem o território georgiano - com exceção das províncias separatistas - até 15 de outubro, a UE "tomará providências."   Crise com Washington   Enquanto a Rússia busca um tom conciliatório com a UE, suas relações com os EUA pioram. Nesta segunda-feira Moscou anunciou o envio de navios de guerra - inclusive um cruzador nuclear - para exercícios navais no Caribe.   A Rússia se queixa da presença marítima dos EUA na costa do Mar Negro, mas nega qualquer ligação disso com seus exercícios no Caribe - em que seus barcos ficaram atracados na Venezuela do presidente Hugo Chávez.   Mais cedo, os Estados Unidos cancelaram um acordo de cooperação nuclear civil com Moscou. "Nós tomamos essa decisão com pesar", declarou a secretária de Estado americana Condoleezza Rice, em comunicado lido pelo porta-voz Sean McCormack. "Infelizmente, devido ao clima atual, essa não é a hora certa para o acordo."   Washington, que diz avaliar sanções contra a Rússia, considera a ofensiva russa no Cáucaso inaceitável e um desafio à soberania e integridade territorial da Geórgia, aliada americana.

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