Acusação diz que comparação de Jean Charles foi manipulada

Segundo advogada, fotomontagem que prova semelhança com terrorista teve as proporções alteradas

Efe,

17 de outubro de 2007 | 10h42

Uma imagem utilizada para comparar Jean Charles de Menezes com Hussain Osman, um dos terroristas dos atentados fracassados de 21 de julho em Londres, foi manipulada, como revelou a advogada de acusação no julgamento da polícia britânica pela morte do jovem brasileiro em 2005.  A fotomontagem, no qual a metade da imagem é o rosto de Jean Charles, e a outra é o de Osman, foi realizada há alguns meses pelas forças de segurança para provar para a imprensa as dificuldades que os agentes tiveram na hora de diferenciá-los em uma estação do Metrô de Londres. Jean Charles, de 27 anos, foi morto a tiros em 22 de julho de 2005 por agentes que o confundiram com Osman na estação de Stockwell, no sul da capital britânica. A advogada de acusação, Clare Montgomery, disse no julgamento da Scotland Yard no tribunal de Old Bailey, em Londres, que a fotomontagem foi "esticada" para que os rostos não tivessem suas corretas proporções, segundo fontes judiciais. Depoimento Segundo a BBC, o consultor forense Michael George disse à corte que recebeu duas fotos originais dos dois homens e tentado refazer a fotomontagem original. George disse ter sido incapaz de combinar as duas fisionomias da mesma forma e acrescentou que, na composição feita pela polícia, a foto do brasileiro parecia ter sido adicionada com brilho, perdendo definição. "O brilho pode ter afetado a definição de algumas características da imagem original, como as áreas em volta das narinas e do queixo." Alex Alves, primo de Jean Charles, também criticou a fotomontagem, que, segundo ele, faz Jean Charles e Osman "parecerem irmãos gêmeos, quando, na verdade, eles são completamente diferentes". No dia da tragédia, Jean Charles saiu de um edifício vigiado pela polícia no sul de Londres, onde as forças de segurança acreditavam que Osman vivia. A Promotoria britânica decidiu no ano passado absolver os agentes envolvidos no incidente e processar a força em seu conjunto por crimes contra a Lei de Segurança e Higiene, de 1974, que obriga a Polícia a velar pela integridade até mesmo dos que não são seus empregados.

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