Adolescente alemão é enviado à Sibéria por práticas violentas

Criminalidade entre jovens é um dos principais temas da campanha para as eleições regionais na Alemanha

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

18 de janeiro de 2008 | 13h52

Uma decisão da Alemanha de enviar um adolescente à Sibéria está causando uma verdadeira polêmica na Europa. As autoridades da cidade de Giessen, na parte central da Alemanha, anunciaram que enviaram um jovem ao norte da Rússia para que ele possa repensar seu comportamento violento. A criminalidade entre jovens se transformou nas últimas semanas em um dos principais temas da campanha para as eleições regionais na Alemanha.  O envio de pessoas à Sibéria era uma prática comum durante o regime soviético e servia de punição até mesmo a intelectuais que ousavam questionar o Kremlin. A surpresa para os defensores de direitos humanos agora é que a decisão de um governo democrático e de direito de adotar uma prática semelhante. O adolescente de 16 anos não está preso. Mas permanecerá nove meses na cidade de Sedelnikovoa, com 5 mil habitantes. Segundo o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, o jovem terá de caminhar todos os dias 2,5 quilômetros até sua nova escola. Em sua casa não há água encanada nem banheiro. O aquecimento para fugir do frio soberiano é feito a partir de pedaços de madeira.  Isso não é uma punição, mas uma experiência educacional intensiva, afirmou o diretor do departamento de políticas sociais de Giessen, Stefan Becker, ao jornal alemão. Queriamos tirá-lo da sociedade consumista. Se ele não cortar lenha, não terá como se aquecer. Se não for buscar água, não tem com que se lavar. As condições de vida são semelhantes às que existiam há 40 anos", disse.  O jovem, que cometeu uma série de ataques contra colegas de escola e mesmo contra sua mãe, teria sido diagnosticado como patologicamente agressivo. As autoridades garante que o rapaz aceitou ir para a Sibéria como parte do tratamento e que, ao retornar para a Alemanha, ficará ainda por dois anos sendo monitorado.  A decisão de mandar jovens agressivos para outras partes do mundo começou na Alemanha em 2006 e, apenas no ano passado, 600 adolescentes foram enviados para o exterior. Os dados são da entidade alemã AGJ - Associação para o Bem-Estar dos Jovens, que indicam que esses adolescentes estão sendo enviados para a Grécia, África e países do Caucaso.  A criminalidade está aumentando por causa da diferença social entre os jovens do leste e oeste da Alemanha, entre os imigrantes e falta de empregos. O envio a locais no exterior como uma experiência de vida pode ser uma solução para esses adolescentes, mas precisa ser acompanhada de perto por especialistas e ter um padrão mínimo, afirmou ao Estado, Sabine Kummetat, representante da AGJ. Segundo ela, não há registros de alemães por enquanto sendo enviados ao Brasil.  Os alemães não escondem que já não sabem o que fazer para lidar com o crime entre os jovens. O tema chega a fazer parte da campanha para as eleições estaduais que ocorrem no final do mês. O partido da chanceler Angela Merkel defende a adoção de leis mais duras contra o crime juvenil, inclusive com a expulsão de imigrantes.

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