Adolescente grego foi morto por bala perdida, diz polícia

Advogado afirma que projétil bateu em outro lugar antes de atigir o jovem de 15 anos, morto com o tiro

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 10h33

Um relatório balístico sobre o incidente em que um adolescente grego foi morto por disparos de um policial, que acabou desencadeando uma onda de violência nas ruas da Grécia, concluiu que a bala ricocheteou em outra coisa antes de atingir o jovem, e não por um e não de um disparo direto, disse o advogado da polícia nesta quarta-feira, 10.   Veja também: Novos confrontos marcam dia de greve geral na Grécia Gilles Lapouge: Sistema político arcaico imobiliza a Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    A morte de Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, desencadeou cinco dias de violência na Grécia, sendo os tumultos alimentados pela revolta popular diante das reformas econômicas e sociais do governo. "A investigação indicou que foi um ricochete. Em última análise, foi um acidente", disse o advogado Alexis Kougias. O relatório balístico ainda não foi oficialmente divulgado. Segundo o advogado, o tiro disparado pelo policial acusado bateu primeiro contra um poste ou uma vitrine, e depois atingiu o corpo do jovem.   Os pais da vítima solicitaram que um especialista no assunto estude esse relatório balístico, segundo informações de uma emissora de rádio local. Dois policiais foram acusados de conexão com a morte do jovem, mas as autoridades ainda esperam os resultados oficiais do exame que vai determinar a trajetória da bala que matou Grigoropoulos. O policial que atirou afirma que deu um tiro de advertência e que a bala teria ricocheteado e atingido o adolescente. No entanto, testemunhas disseram a uma emissora de televisão grega que o tiro tinha o jovem como alvo.   Milhares de pessoas compareceram na terça ao enterro de Grigoropoulos e aplaudiram quando o caixão do jovem passou pela multidão. Do lado de fora do cemitério, policiais lançaram gás lacrimogêneo para controlar os manifestantes. Depois de quatro dias de confrontos entre manifestantes e policiais em várias cidades da Grécia, o país vive mais um dia de tensão nesta quarta-feira por causa de uma greve geral convocada por sindicatos de servidores públicos. Cerca de dez mil grevistas realizaram uma marcha no centro de Atenas e realizaram protestos em frente ao Parlamento do país. Segundo a BBC, a paralisação por melhores salários e pensões estava convocada há algumas semanas, mas os sindicatos rejeitaram um apelo de cancelamento feito pelo primeiro-ministro Costas Karamanlis, diante do ocorrido nos últimos dias.   Desde o sábado, a onda de protestos deixou centenas de prédios depredados e dezenas de pessoas feridas. Os vôos saindo ou chegando a Atenas foram cancelados, e o transporte público foi gravemente afetado. Os episódios de violência têm como pano de fundo o ressentimento da população com os escândalos de corrupção, o aumento da desigualdade social e a piora dos problemas econômicos.

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