Advogada brasileira é atacada por skinheads na Suíça

Grávida de gêmeos, Paula Oliveira perdeu os bebês e teve partes de seu corpo feridas com estilete

Gabriel Pinheiro, do estadao.com.br, e Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

11 de fevereiro de 2009 | 18h21

Fotos: Divulgação SÃO PAULO - A advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi atacada em Zurique por um grupo de skinheads na noite de segunda-feira, 9. Funcionária do conglomerado econômico dinamarquês A P Moeller/Maersk, ela foi levada às pressas para um hospital suíço e nesta quarta recebeu a visita de seu pai. Segundo o Itamaraty, Paula estava no terceiro mês de gravidez de gêmeos, e acabou perdendo os bebês. O caso ganhou contornos políticos depois que a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, constatou que a polícia suíça sequer abriu investigação para identificar os agressores. "Trata-se claramente de um ataque xenófobo", afirmou Vitória, que hoje vai até o escritório central da polícia exigir esclarecimentos. "Se for necessário, levaremos o caso às mais altas instâncias", acrescentou, indicando que o Itamaraty pode pedir também explicações à Embaixada da Suíça em Brasília. Nos últimos meses, ataques xenófobos têm ganhado força na Europa diante de um discurso cada vez mais racista dos partidos de extrema direita. Na Suíça, a crise financeira internacional e o aumento do desemprego deram popularidade aos partidos políticos que defendem medidas contra a imigração. Casos de ataques contra estrangeiros aumentaram, mas, até agora, os brasileiros não eram os alvos preferidos - as principais vítimas são imigrantes turcos, ex-iugoslavos e africanos.  Paula, uma pernambucana de 26 anos, trabalha na multinacional Maersk e, segundo o Itamaraty, vive legalmente na Suíça. Ela foi atacada quando voltava do trabalho, após desembarcar na estação de trem perto de sua casa. Paula falava ao telefone celular com a mãe, que estava no Recife, quando foi cercada pelos três skinheads.  Levada para um parque, foi espancada por 15 minutos e teve sua roupa parcialmente arrancada. Um deles usou um estilete para cortar barriga, braços e pernas. "Ela ficou marcada em várias partes do corpo", disse a cônsul. A diplomacia brasileira criticou o comportamento da polícia após a agressão. Isso porque, ao prestar queixa, Paula foi interrogada pelo detetive Andreas Hug - ele duvidou de sua versão, querendo saber se ela não teria se autoflagelado. Paula disse que um dos agressores tinha uma suástica tatuada no corpo. A cônsul também passou por uma situação constrangedora ao telefonar para a polícia. A delegacia local apenas a informou que, se quisesse saber detalhes da agressão, que perguntasse à vítima. Por enquanto, familiares disseram que ela permanecerá no hospital local. Em breve, ela deve voltar para o Recife. Paula é filha de Paulo Oliveira, secretário parlamentar do ex-governador de Pernambuco e deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE). Os pais da brasileira chegaram ontem a Zurique e hoje pretendem buscar informações sobre a investigação (leia entrevista de Oliveira). Referendo  O que mais chamou a atenção do Itamaraty foi o caráter xenófobo do ataque, já que a brasileira não teve nada roubado. A cônsul quer que a marca do SVP no corpo da brasileira seja investigada para saber se se trata de um ataque premeditado. "Queremos saber se foi algo organizado ou apenas um bando de loucos racistas", afirmou.  O SVP é atualmente o maior partido da Suíça e vem ganhando espaço político. Entre suas propostas está o limite na nacionalização de estrangeiros, o fechamento das fronteiras para trabalhadores imigrantes, a proibição de construção de mesquitas e maiores dificuldades para refugiados.  Na véspera do ataque, a Suíça realizou um referendo para decidir se autorizava a entrada de trabalhadores búlgaros e romenos. A abertura saiu vencedora por uma margem pequena - mostrando como o país está dividido em relação aos estrangeiros.  (Matéria atualizada às 20h45)

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