Agente admite alteração de provas no caso Jean Charles

Policial da equipe que matou brasileiro será investigado após confessar que eliminou dados sobre operação

Efe e AP,

13 de outubro de 2008 | 15h58

Um agente da equipe que participou da operação na qual o brasileiro Jean Charles de Menezes foi assassinado admitiu nesta segunda, 13, que alterou provas do caso, e, por isso, será investigado, anunciaram fontes oficiais. O policial, de alta patente e identificado apenas como "Owen", confessou aos investigadores da morte de Jean Charles que, na semana passada, eliminou uma linha das anotações sobre a operação que tinha em seu computador, informa a agência de notícias PA.   Veja também: Cronologia do caso Jean Charles Entenda o novo inquérito sobre o caso Jean Charles   A Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC) informou em comunicado que o assunto "vai ser objeto" de uma investigação independente. Jean Charles, um eletricista brasileiro de 27 anos, foi morto a tiros pela polícia quando estava sentado no vagão de um trem do metrô de Londres na estação de Stockwell, no sul de Londres. Uma investigação da justiça britânica não responsabilizou ninguém pela morte do brasileiro.   Em seu depoimento, "Owen" disse que em 8 de outubro - mais de duas semanas após o início da investigação pública - eliminou uma linha que dizia que a oficial a cargo da operação, Cressida Dick, inicialmente disse que o brasileiro podia entrar no metrô "porque não levava nada".   "CD (siglas de Cressida Dick): pode subir no metrô porque não leva nada", diz a fala eliminada. O agente explicou que tinha decidido apagar a fala porque não achava ser "relevante."   Após assinalar que não tinha certeza de quem havia levantado a possibilidade de deixar Jean Charles ir, ressaltou que "tudo o que pode dizer é que uma das opções era deixar que fosse porque não levava nada e que houve um desacordo entre a direção". "Foi uma voz de mulher", assegurou "Owen", reiterando que não tinha certeza se havia sido Dick que disse aquela frase.   O agente, que explicou que tinha mencionado as mudanças a um advogado da Polícia Metropolitana de Londres, alegou que tinha apagado uma fala que acreditava ser "errônea" e que, segundo ele, "dava uma impressão totalmente falsa". O agente também disse não ter certeza sobre quem pediu que fizesse a alteração.  

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