Agressor será expulso se provado ataque, diz partido suíço

Deputado do SVP afirma que possibilidade de autoflagelo da brasileira Paula Oliveira não pode ser descartada

Agências internacionais,

13 de fevereiro de 2009 | 08h28

Um dos principais nomes do Partido do Povo Suíço (SVP), o deputado Oskar Freysinger, afirmou que se um dos membros da legenda ultradireitista agrediu a advogada brasileira Paula de Oliveira, o SVP expulsará o agressor imediatamente. "Este é um país de lei, onde cada ser humano merece respeito", afirmou Freysinger, apesar de ter dito em entrevista ao Estado que "não se pode excluir a possibilidade de autoflagelação". "Se essas pessoas são de fato do partido, serão expulsas, mas primeiro precisamos saber se tudo isso de fato ocorreu".   Veja também: Lapouge: Marca do horror dificilmente se apagará   Para Amorim, há xenofobia 'evidente' em caso de advogada Maior partido do país é famoso por propaganda racista 'Fomos vítimas da xenofobia', diz pai de torturada Suíça admite descaso com a violência de neonazistas Xenofobia aumenta na UE, indicam relatórios    Paula teria sofrido um ataque na noite de segunda-feira numa estação de trem na periferia de Zurique. Ela se apresentou à polícia com cortes em todo corpo - segundo ela feitos com estilete -, alguns formando a sigla SVP, iniciais do Partido do Povo Suíço, de extrema direita. Paula, uma advogada que trabalhava numa multinacional, diz ter sido atacada por três skinheads. Ela estava grávida de gêmeas e teria abortado por causa dos ataques. A polícia de Zurique disse que "investiga em todas as direções". No comunicado, evitou classificar a agressão como ataque racista e não mencionou que alguns dos cortes no corpo da brasileira formavam a sigla do SVP. Mencionou apenas ferimentos em forma de "letras".   O SVP mantém um posição dura contra a imigração, incentivando campanhas contra a integração da Suíça com a Europa e pressionando o governo para endurecer leis para expulsar estrangeiros. Porém, o partido faz parte da coalizão de governo e nunca esteve ligado com atos neonazistas.   Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo brasileiro não pode aceitar e não pode ficar calado diante de tamanha violência contra uma brasileira no exterior. O presidente da República disse ainda que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o informou ter acionado o embaixador brasileiro na Suíça, que já contactou as autoridades policiais do país e exigiu que fossem tomadas providências para apuração e punição dos culpados. "Ao mesmo tempo, entramos em contato com o governo suíço para que ele também apurasse", disse.   O governo brasileiro acredita em motivações xenofóbicas para o ataque. Se as investigações das autoridades suíças confirmarem a tese, o Brasil poderá denunciar o caso à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Caberia ao órgão investigar e exigir que o governo suíço adote medidas severas para evitar esse tipo de conduta. "Não podemos fazer nenhum prejulgamento, mas há uma aparência evidente de xenofobia, o que é uma coisa preocupante", afirmou Amorim. Na avaliação do ministro, o fato de não ter havido roubo ou estupro indica que as agressões - que resultaram na perda dos dois bebês que Paola estava esperando - devem ter sido motivadas por preconceito.   De acordo com o ministro, a postura brasileira, após a conclusão das investigações, dependerá do que for feito pelas autoridades suíças em relação ao caso e aos agressores. "Não adianta aventar hipótese agora porque não sei qual a direção que as investigações vão tomar. É preciso que as autoridades suíças façam a investigação. Temos confiança de que farão, temos confiança de que manterão a transparência e temos confiança de que haverá punição adequada porque creio que a Suíça não tem interesse em manter uma imagem negativa", afirmou o chanceler brasileiro, lembrando que no último dia 7 a população suíça disse sim, em referendo, a um acordo que garante livre acesso dos trabalhadores da União Europeia ao mercado do país.   (Com Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo)

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