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Ahmadinejad critica 'governo racista' de Israel na ONU

Líder iraniano, que também atacou EUA, foi interrompido por gritos de 'assassino'; delegados da UE se retiraram

Agências internacionais,

20 de abril de 2009 | 10h49

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou nesta segunda-feira, 20, o "racismo" de Israel e a cumplicidade dos Estados Unidos e de alguns governos ocidentais na política israelense contra os palestinos, em discurso na conferência da ONU sobre racismo, no qual foi vaiado por alguns presentes. Ahmadinejad, que é o único chefe de Estado que assiste a esta conferência marcada desde antes de seu início, devido à polêmica e o boicote dos EUA, Israel e outros sete países, usou grande parte de seu discurso para condenar a "política repressiva" e a "brutalidade" de Israel contra os palestinos.

 

Pouco após começar suas críticas, os representantes da União Europeia (UE) saíram da sala em protesto contra as palavras de Ahmadinejad, que também denunciou as intervenções militares no Iraque e no Afeganistão, e se perguntou se trouxeram a paz ou a prosperidade a seus povos. O líder iraniano criticou a ordem política mundial, ao afirmar que o Conselho de Segurança da ONU sempre "recebeu com o silêncio os crimes desse regime (israelense), como os recentes bombardeios contra civis em Gaza."

 

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Ele também disse que a intervenção internacional no Afeganistão não trouxe a paz nem a prosperidade a esse país, e que a invasão americana do Iraque deixou "1 milhão de mortos e feridos" e perdas milionárias para a economia desse país. O presidente iraniano continuou as constantes referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", disse, e chamadas para uma reforma da ordem política internacional.

 

As vaias de alguns grupos a Ahmadinejad começaram no momento em que ele subiu à tribuna, quando foi interrompido com gritos de "assassino" por dissidentes iranianos que foram a Genebra. Ahmadinejad continuou dizendo que "perdoava" os que lhe tinham insultado, aos quais qualificou de "ignorantes". Membros de grupos judeus e ONGs favoráveis a Israel também protestavam na entrada da sala do Palácio das Nações, onde acontece a conferência.

 

A presença de Ahmadinejad em Genebra causou indignação de Israel, que nesta segunda chamou a consultas seu embaixador em Berna, em protesto contra o encontro que o presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, manteve no dmingo à noite com o presidente iraniano. Os nove países que boicotam a conferência são Israel, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia, e Alemanha.

 

REAÇÃO

 

"Nós, como os outros embaixadores, seguimos o conselho da presidência (checa) da União (Europeia), que dizia que quando escutássemos comentários não aceitáveis para a Europa, abandonássemos a sala. O presidente (Ahmadinejad) falou de um Estado racista, e por isso fomos embora", disse o embaixador espanhol na ONU, Javier Garrigues, segundo o jornal El País.

 

O diplomata esclareceu, porém, que o gesto não quer dizer que a UE irá abandonar a conferência, "a menos que se produza um feito realmente grave". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou o discurso de Ahmadinejad. Ban disse que o presidente iraniano usou o pronunciamento para "acusar, dividir e até incitar", opondo-se diretamente ao objetivo do encontro. O Brasil participa da reunião, que terminará na quinta-feira.

 

(Texto atualizado às 12h55)

 

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