AIEA aponta partículas radioativas em níveis baixos na Europa

Níveis baixíssimos do isótopo iodo-131 foram detectados na Europa, mas se acredita que as partículas não representem um risco à saúde pública, disse nesta sexta-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), acrescentando que a origem da radiação está sendo investigada.

SYLVIA WESTALL E FREDRIK DAHL, REUTERS

11 de novembro de 2011 | 17h23

Em princípio, a AIEA descartou que as partículas venham da usina japonesa de Fukushima, cenário de um grave acidente nuclear em março. A radiação está sendo detectada há duas semanas, e os especialistas apontam múltiplas origens possíveis, de laboratórios médicos e hospitais a submarinos nucleares.

A descoberta foi feita após um alerta da República Tcheca, que detectou radiação vinda de fora do país, mas não de uma usina nuclear. A Alemanha disse ter registrado níveis ligeiramente elevados de iodo radiativo no norte do país, e também descartou que a origem seja uma usina atômica.

Hungria, Eslováquia, Áustria e Suécia foram outros países que detectaram a radiação, em níveis incapazes de fazerem mal à saúde.

O iodo-131, que em doses elevadas está associado ao câncer, pode contaminar produtos como leite e legumes.

Paddy Reagan, professor de física nuclear na Universidade de Surrey (Grã-Bretanha), disse que a hipótese de contaminação radiofarmacológica é a mais provável, já que o iodo-131 era usado em tratamentos da tireoide, e alguns hospitais ainda podem tê-lo em seus armazéns.

"Seria improvável que ele tenha vindo de Fukushima, já que o acidente foi há muitos meses, e o iodo-131 tem uma meia-vida (tempo de decomposição) rápida."

Segundo a AIEA, uma dada quantidade de iodo-131 leva apenas oito dias para ser reduzida à metade.

Malcolm Sperrin, diretor de física médica do Real Hospital de Berkshire, na Grã-Bretanha, disse que as partículas podem até mesmo ter sido lançadas no ambiente por pessoas submetidas a tratamento de tireoide.

As autoridades da Espanha, Rússia, Ucrânia, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Suíça, Polônia e Noruega disseram não ter detectado níveis anormais de radiação.

Nos dias e semanas posteriores ao acidente de Fukushima, pequenas quantidades de iodo-131, supostamente vindas do Japão, foram detectadas até nos EUA, na Islândia e na Europa continental.

(Reportagem adicional de Kate Kelland, em Londres; e de redações na Europa)

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