Hamid Forutan/Efe
Hamid Forutan/Efe

AIEA apresenta provas de plano nuclear iraniano; Teerã nega evidências

Em reunião desta sexta-feira, agência mostrou imagens e cartas para respaldar relatório

Reuters

11 de novembro de 2011 | 18h57

VIENA - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) exibiu nesta sexta-feira, 11, cartas e imagens de satélite para tentar corroborar suas acusações de que o programa nuclear iraniano tem fins militares, mas o embaixador iraniano na entidade disse que as provas são "ruins."

 

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Herman Nackaerts, diretor mundial de inspeções da AIEA, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), fez durante uma hora a apresentação técnica a portas fechadas do novo relatório sobre o Irã entregue na terça-feira aos Estados membros da agência.

O texto diz que o Irã aparentemente trabalhou no desenvolvimento de uma bomba atômica, e que ainda hoje mantém pesquisas secretas. Foi o mais detalhado relatório da AIEA sobre o assunto até agora. Participantes disseram que Nackaerts mostrou correspondências comerciais envolvendo autoridades iranianas, e também imagens de satélite da instalação militar de Parchin, a sudeste de Teerã.

A AIEA afirmou em seu relatório ter informações "críveis" de que o Irã construiu um grande tanque de explosivos nesse local para realizar experimentos hidrodinâmicos, os quais são "fortes indicadores de um possível desenvolvimento de armas."

Diplomatas disseram que Nackaerts também salientou quais informações no relatório são novas, aparentemente para se contrapor às críticas do Irã de que o documento só teria acusações requentadas.

Resposta

Ali Asghar Soltanieh, embaixador do Irã na ONU, disse não haver atividades nucleares em Parchin. "Não há prova de atividades iranianas voltadas para propósitos militares", afirmou ele a jornalistas após a reunião. "Temos, sim, atividades convencionais (em Parchin), e isso não tem nada a ver com (a atividade) nuclear."

"Esse tipo de trabalho ruim de inteligência criou problemas para todos os Estados membros", acrescentou ele. Para o diplomata, o relatório constitui um "erro histórico", que "envenenou a atmosfera" nos esforços pela solução diplomática do problema.

Ele também minimizou a conclusão da AIEA de que há uma "discrepância" de 19,8 quilos de urânio natural nos estoques de um laboratório de Teerã. O urânio, dependendo do seu grau de purificação, pode ser usado como matéria-prima para armas nucleares. "Isso foi explicado hoje", disse Soltanieh. "São coisas técnicas ... Absolutamente não é um problema."

Há anos a AIEA investiga as acusações ocidentais de que o Irã estaria desenvolvendo armas atômicas secretamente. Teerã diz que suas atividades nucleares se destinam apenas à geração de eletricidade para fins civis.

Governos ocidentais pretendem usar o relatório para endurecer as sanções da ONU contra o Irã, algo a que a Rússia se opõe.

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