REUTERS/Fabrizio Bensch
REUTERS/Fabrizio Bensch

Alemães vão às ruas em Berlim protestar contra medidas de restrição da pandemia

Manifestantes afirmam que as determinações de prevenção impostas no país violam direitos e liberdades individuais

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2020 | 16h54

Milhares de pessoas foram às ruas de Berlim neste sábado, 1º, em protesto contra as restrições instituídas pelo governo alemão para frear o avanço da covid-19 no país. Os manifestantes defendem que as medidas impõem limites às liberdades individuais.

A polícia alemã estima que cerca de 17 mil pessoas tenham participado da aglomeração, entre elas libertários, legalistas constitucionais, ativistas anti-vacinação. Havia também a presença de simpatizantes da extrema-direita, alguns carregando bandeiras da Alemanha Imperial.  O número ficou aquém do esperado pelos organizadores da marcha, que haviam anunciado 500 mil participantes. O evento foi chamado “O Fim da Pandemia - Dia da Liberdade”.

Imagens da manifestação e jornalistas que estiveram no local indicam que poucas pessoas usavam máscara e respeitavam o espaço de distanciamento de um metro e meio. A polícia de Berlim anunciou no Twitter que registrou denúncia contra os organizadores do protesto por “não respeitarem as regras de higiene”.

Manifestantes entoavam cantos de “Nós somos pessoas livres”, ao ritmo de “We Will Rock You”, da banda inglesa Queen; “Somos a segunda onda”, “Resistência”, ou denunciavam a pandemia como uma “grande conspiração”. Outros carregavam cartazes com os dizeres “Estamos fazendo barulho porque vocês estão roubando nossa liberdade” e “Pense! Não use máscara!”.

Para os manifestantes essas medidas de restrição devem desaparecer, já que a crise da saúde foi superada. 

"É uma tática de medo: não vejo perigo com o vírus. Não conheço outras pessoas doentes. Conheci muitas pessoas doentes em março, esquiadores, turistas, algo realmente aconteceu em fevereiro, mas agora não há mais pessoas doentes", disse Iris Birzenmeier à France Presse

Anna-Maria Wetzel, que já participou de vários encontros semelhantes, tem a mesma opinião. "Aqueles que não se informam, diferentemente de nós, são ignorantes e acreditam no que o governo diz. Eles têm o medo que o governo coloca em nossas cabeças".

Críticos da manifestação chamaram os participantes de "nazistas". 

O lema da manifestação, "Dia da Liberdade", coincide com o título de um filme da diretora Leni Riefenstahl sobre a conferência do partido de Adolf Hitler no NSDAP em 1935.

Figuras importantes da política alemã criticaram o ato. A co-líder do Partido Social-Democrata Saskia Esken chamou os manifestantes de "covidiotas". "Eles não apenas colocam em risco nossa saúde, mas também nossos sucessos contra a pandemia", twittou Esken.

Após o sucesso inicial da Alemanha em conter a pandemia, um novo aumento no número de casos tem preocupado as autoridades de saúde. O país registrou mais de 200 mil casos da covid-19, com cerca de 9.200 vítimas fatais. /AFP e Reuters

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