Alemães votam em Hamburgo; Merkel encara possível derrota

Os alemães votaram nas eleições estaduais de Hamburgo no domingo, e a expectativa é que inflijam aos democratas cristãos da chanceler Angela Merkel uma significativa derrota, dificultando a aprovação de leis por sua coalizão federal.

JAN SCHWARTZ, REUTERS

20 de fevereiro de 2011 | 12h30

Hamburgo é o primeiro teste eleitoral que Merkel enfrenta este ano, e a oposição social-democrata (SPD), bem posicionada nas pesquisas de opinião, espera conquistar uma vitória grande que proporcione à centro-esquerda um ímpeto considerável antes das outras seis eleições estaduais previstas para este ano.

No início da tarde, o comparecimento de eleitores às urnas já era um pouco maior que na eleição anterior em Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha. As pesquisas apontaram para uma vitória com larga vantagem do SPD, e os primeiros resultados de boca de urna estão previstos para depois do fechamento das urnas, às 18h (horário local).

Uma derrota em Hamburgo vai dificultar o trabalho do governo de centro-direita de Merkel porque dará à oposição o controle do Bundesrat, ou câmara alta do Parlamento, que representa os Estados alemães.

O Bundesrat precisa aprovar cerca de metade dos projetos de lei aprovados na câmara baixa, o Bundestag.

Hamburgo também enviará um sinal aos eleitores antes das outras eleições estaduais, especialmente na região sudoeste de Baden-Wuerttemberg, onde o CDU, de Merkel, corre o risco de perder poder em março.

O partido de Merkel, que vem se recuperando nacionalmente de uma queda de popularidade no ano passado, também enfrenta novos reveses. O popular ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, envolveu-se em um escândalo de plágio em sua tese de doutorado, acusações que ele nega.

O presidente do Bundesbank, Axel Weber, que era visto como candidato chave à presidência do Banco Central Europeu, disse que vai deixar o banco central alemão, decisão que a imprensa popular interpretou como um revés para Merkel.

Pesquisas de opinião em Hamburgo sugerem que o SPD possa conquistar cerca de 46 por cento dos votos. O CDU, que na eleição passada, em 2008, recebeu 42,6 por cento dos votos, caiu para 25 por cento nas pesquisas.

"Estou otimista. Muitos cidadãos me disseram nos últimos dias que já votaram em mim ou vão fazê-lo no domingo", disse o candidato do SPD e ex-ministro do Trabalho Olaf Scholz, quando foi votar.

O SPD espera conquistar uma maioria absoluta em Hamburgo. Mas talvez precise formar uma coalizão com os Verdes, que devem receber estimados 14 por cento dos votos. O partido Esquerda tem 6 por cento das intenções de voto, e os liberais democratas livres, 5 por cento.

Hamburgo foi durante muito tempo um reduto da esquerda, tendo sido governado pelo SPD por 44 anos antes de perder o poder para o CDU, de Merkel, há dez anos. O candidato do SPD, Scholz, expurgou do partido os políticos corruptos que lhe custaram o controle da segunda maior cidade da Alemanha.

O CDU perdeu espaço nas pesquisas em Hamburgo depois de seu líder, o advogado Christoph Ahlhaus, ter tomado o lugar do antes popular prefeito do CDU Ole von Beust, que desistiu de sua candidatura inesperadamente em julho. Uma coalizão do DCU com os verdes fracassou em novembro, levando à necessidade das eleições.

Em nível nacional, os conservadores de Merkel têm cerca de 36 por cento. O SPD (22 por cento) e seus aliados preferenciais, os Verdes (20 por cento), estão um pouco à frente da coalizão governante, formada pelos conservadores de Merkel e seus aliados do FDP (5 por cento).

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