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Alemanha condena nazista à prisão perpétua por massacre

Josef Scheungraber, de 90 anos, foi condenado por participação em matança de dez civis na Itália em 1944

11 de agosto de 2009 | 07h24

O ex-comandante de infantaria do Exército alemão Josef Scheungraber, de 90 anos, foi condenado nesta terça-feira, 11, à prisão perpétua por participação no assassinato de dez civis em um povoado da Toscana, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

O episódio aconteceu em 26 de junho de 1944 em Falzano di Cortona, quando o então tenente Scheungraber tinha 25 anos. Depois de quase 11 meses de julgamento, o tribunal de guerra afirmou que o comandante da Wehrmacht determinou o assassinato de dez dos 14 civis em retaliação à morte de dois soldados alemães em um ataque de guerrilheiros italianos.  Soldados alemães fuzilaram uma senhora de 74 anos e três homens em plena rua, antes de prenderem outros 11 em uma casa, que seria detonada em seguida. Apenas um deles, Gino Massetti, que na época tinha 15 anos, sobreviveu e testemunhou em Munique.

Um tribunal em Munique, um dos últimos tribunais da Segunda Guerra Mundial, analisou o processo contra o idoso, que nega as acusações. Ele afirma apenas ter passado a guarda de 14 civis italianos à polícia militar alemã e não saber o que se passou com eles depois disso. Scheungraber era o comandante de uma tropa de engenheiros da infantaria e há décadas vivia livre na cidade de Ottobrunn, nos arredores de Munique. Segundo a BBC, ele chegou a trabalhar e receber uma homenagem da autoridade local e administrava uma loja de móveis. Scheugraber também costumava participar de paradas de veteranos de guerra.

 

Após o julgamento contra Scheungraber, um dos últimos grandes processos contra ex-criminosos nazistas na Alemanha, espera-se que seja aberto ainda neste segundo semestre, também em Munique, o correspondente ao suposto ex-guarda de campos de concentração nazistas John Demjanjuk, de 89 anos. Demjanjuk é acusado de cumplicidade na morte de 27,9 mil judeus no campo de concentração de Soribor e chegou à Alemanha em maio, extraditado pelos Estados Unidos. Desde então, está em prisão provisória em Munique e, segundo os exames médicos, está em disposição de ser julgado.

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