Alemanha pede que chefe de unidade da CIA em Berlim deixe país

A Alemanha pediu que o principal representante da inteligência dos Estados Unidos em Berlim deixe o país, adotando uma medida extremamente rara que reflete a profunda irritação do governo alemão com a descoberta, em apenas uma semana, de dois suspeitos de espionarem para os norte-americanos.

MADELINE CHAMBERS, REUTERS

10 de julho de 2014 | 16h03

O escândalo levou a uma nova tensão nas relações da Alemanha com um dos seus aliados mais próximos, depois das revelações feitas no ano passado pelo ex-prestador de serviços de inteligência dos EUA Edward Snowden de que os norte-americanos espionavam os alemães, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel.

"O pedido foi feito tendo em vista a investigação em andamento por parte do procurador-chefe federal e questões que emergiram há meses sobre as atividades dos serviços de inteligência dos EUA na Alemanha", disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert.

Na quarta-feira, a Alemanha anunciou ter descoberto um suspeito de atuar como agente para os EUA no seu Ministério da Defesa. Isso ocorreu apenas alguns dias depois de um funcionário do setor de inteligência alemã ter sido preso sob a suspeita de ser informante da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) e após ter admitido ter enviado documentos para um contato dos EUA.

Merkel fez sua mais firme declaração até agora sobre a suposta espionagem, que ela disse pertencer à era da Guerra Fria.

"Do meu ponto de vista, espionar aliados... é perda de energia. Nós temos tantos problemas, nós deveríamos focar em coisas importantes", declarou a chanceler a repórteres.

"Na Guerra Fria talvez houvesse desconfiança geral. Hoje estamos vivendo no século 21. Hoje existem ameaças completamente novas", afirmou.

(Reportagem adicional de Stephen Brown, Michelle Martin, Thorsten Severin e Andreas Rinke)

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