Amiga brasileira diz que Diana quebrou tabus da elite

Princesa cuidava dos filhos pessoalmente e era engajada em causas pouco conhecidas.

Denize Bacoccina, BBC

31 de agosto de 2007 | 05h58

A embaixatriz Lúcia Flecha de Lima diz que a princesa Diana quebrou tabus ao assumir atitudes que não eram comuns entre a classe alta britânica, como cuidar pessoalmente dos filhos e se engajar em causas públicas ainda pouco conhecidas.   Veja também: Dez anos após morte de Diana, Windsors recuperam prestígio A morte da princesa Diana e as teorias da conspiração Dez anos depois, Diana ainda está nas manchetes Diana e Dodi: Relatório revela momentos finais Trechos do documentário 'Diana: The Witnesses In The Tunnel'  Linha do tempo    "Ela era um ícone mundial e deu um exemplo muito grande. A maneira de encarar a vida, as pessoas, as doenças, ela se aproximava e tocava todo mundo", diz Lúcia, que foi amiga e confidente nos últimos anos de vida de Diana. Ela conta que a princesa foi uma das primeiras pessoas famosas a se sentar na cama de um paciente de Aids, numa época em que ainda havia um estigma muito grande em relação à doença. A princesa também fez, no fim da vida, uma grande campanha contra minas terrestres, e atraiu a atenção do mundo para o assunto ao visitar crianças mutiladas por estas armas em Angola. A relação próxima que ela tinha com os filhos, diz a embaixatriz, foi uma inovação em relação aos padrões da nobreza britânica, cujos filhos eram criados por babás e outros empregados. Lúcia e o marido, o embaixador aposentado Paulo Tarso Flecha de Lima, são os únicos brasileiros convidados para a cerimônia que vai lembrar nesta sexta-feira os dez anos de morte de Diana, apenas com familiares e amigos mais próximos. Com o príncipe Charles, que conheceu em eventos sociais quando era embaixatriz em Londres, Lúcia diz que nunca teve amizade pessoal. Quando ela ficou próxima da princesa, conta, o relacionamento do casal já não ia bem. A embaixatriz conta que recebeu com surpresa o convite dos príncipes William e Harry para participar da cerimônia. Ela conheceu os dois filhos de Diana quando eles ainda eram crianças e freqüentavam sua casa em Londres, mas ela diz que não tiveram nenhum contato nos últimos dez anos, após o funeral da princesa. O convite para participar da missa na Capela da Guarda chegou há dois meses, depois que o secretário particular dos príncipes entrou em contato com a embaixada brasileira em Londres pedindo o endereço dos Flecha de Lima no Brasil. "Isso mostra que a herança maior dela, que são os filhos, ela os deixou como qualquer mãe sonharia", afirma. Lúcia conheceu a princesa em 1990, quando Flecha de Lima era embaixador em Londres, durante uma recepção no Palácio de Buckingham. A embaixatriz conta que as duas se deram bem imediatamente, mas ficaram mais próximas quando ela e o marido acompanharam Diana e o príncipe Charles numa viagem que o casal fez ao Brasil, em 1991. As duas continuaram muito amigas nos anos seguintes, a ponto de Diana ter um quarto na residência do embaixador brasileiro em Londres. A amizade continuou quando o embaixador foi transferido para Washington, em 1993. Lúcia conta que Diana costumava passar o Natal com os filhos na Inglaterra e no dia seguinte viajar para Washington, onde ficava na casa da embaixatriz até o início de janeiro. As duas conversaram por telefone pela última vez dois ou três dias antes do acidente que matou a princesa, em 1997. Ela estava no barco de Dodi Al Fayed, namorado que morreu junto com ela no acidente de carro em Paris. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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