Amigos famosos não conseguem libertar fundador do WikiLeaks

Uma socialite, um cineasta e um veterano jornalista se apresentaram como testemunhas na terça-feira em um tribunal londrino numa frustrada tentativa de impedir que Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, permaneça preso enquanto aguarda o processo de extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais.

PETER GRIFFITHS, REUTERS

07 de dezembro de 2010 | 17h23

Assange fez sua primeira aparição pública desde a divulgação de mais de 250 mil comunicações diplomáticas sigilosas dos EUA na semana passada. Foi no banco dos réus da Primeira Vara do tribunal de Westminster, bem perto do Parlamento britânico e do rio Tâmisa.

Vestindo paletó azul-marinho e camisa branca com colarinho aberto, Assange deu um meio sorriso e acenou duas vezes para jornalistas na tribuna antes de se sentar, ao lado de dois guardas, e por trás de altos painéis de vidro reforçado.

O australiano assistiu impassivelmente enquanto seus advogados convocavam várias testemunhas destacadas, e cada uma ofereceu 31,6 mil dólares para convencer o tribunal a permitir que ele aguarde o processo em liberdade.

O cineasta Ken Loach, conhecido por filmes engajados como "Ventos da Liberdade," disse admirar Assange. "O trabalho que ele tem feito é um serviço público," afirmou ele perante o tribunal lotado. "Temos direito de conhecer as tratativas daqueles que nos governam."

O premiado jornalista australiano John Pilger disse ter Assange "em altíssima conta," e afirmou que as acusações de violência sexual contra duas mulheres na Suécia são infundadas.

"Essas acusações contra ele na Suécia são absurdas e foram julgadas absurdas por um promotor sueco de alto escalão," disse Pilger. "Seria uma farsa se Assange for levado para dentro desse tipo de sistema sueco."

A socialite britânica Jemima Khan, ex-mulher do político e ex-jogador de críquete paquistanês Imran Khan, se disse preparada para oferecer "qualquer quantia necessária" para a fiança.

Apesar da enorme atenção mundial sobre Assange e o WikiLeaks, o juiz Howard Riddle lembrou ao tribunal que a audiência não tem nada a ver com o site criado por ele, que é especializado no vazamento de documentos sigilosos. Ele qualificou de "extremamente sérias" as acusações de violência sexual imputadas a Assange, de 39 anos.

A advogada de acusação Gemma Lindfield, representando o governo sueco, disse que Assange é acusado de cometer quatro agressões sexuais contra duas mulheres em agosto em Estocolmo. Em ambos os casos, ele é acusado de ter feito sexo sem preservativos, à revelia das mulheres, que foram identificadas apenas como "Srta. A" e "Srta. W."

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