ANÁLISE-Navios russos ajudam antiamericanismo de Chávez

Os exercícios navais no Caribeanunciados nesta semana pela Rússia devem ajudar o presidenteda Venezuela, Hugo Chávez, a conter uma suposta agressão dosEUA e a enfraquecer a influência de Washington no seutradicional quintal. Evocando lembranças da Guerra Fria, a Rússia deve enviar ocruzador nuclear "Pedro, o Grande" e outros navios de últimatecnologia, além de mísseis, para exercícios conjuntos com aVenezuela em novembro. A Rússia vem tentando exibir seu poderio militar, nummomento de tensão diplomática com os EUA por causa da guerra naGeórgia e da construção de um escudo antimísseis dos EUA noLeste Europeu. Para Chávez, a visita russa serve para avisar os EUA de quesua hegemonia sobre os mares em torno da América do Sul podeser ameaçada. As manobras são também parte da políticavenezuelana de conter um eventual ataque norte-americano. Chávez, que tem nos EUA o maior cliente do seu petróleo,celebrou com entusiasmo a ascensão russa como contrapeso àdominação norte-americana. Foi um dos poucos governantes domundo a ter elogiado Moscou por intervir no país vizinho ereconhecer a independência das repúblicas separatistasgeorgianas da Ossétia do Sul e Abkházia. Chávez, ex-pára-quedista do Exército, considera a Venezuelaum ator importante ao lado de potências ascendentes como Rússiae China. "A Venezuela é uma aliada estratégica da Rússia. Que venhaa frota russa, bem-vinda", disse Chávez durante seu programasemanal de TV, no domingo. Chávez se contrapõe aos EUA em praticamente todos osassuntos -- do livre-comércio ao combate ao narcotráfico -- esempre sugere alternativas de integração latino-americana sem oenvolvimento de Washington, o que inclui também uma possívelforça conjunta do subcontinente. Chávez diz que Washington participou da tentativa de golpede 2003 e manobra para tentar derrubá-lo outra vez, algo que osnorte-americanos negam. Ele determinou que o Exército e umagrande força reservistas estejam preparados para travar umaguerra de guerrilha em caso de invasão. Partiu dele o convite para que a Rússia envie navios,reabasteça aviões bombardeiros se for necessário e instaletemporariamente uma base para aviões anti-submarino. "Já faz vários anos que Chávez declara que a verdadeiraameaça ao seu governo não vem da oposição interna, mas dosEstados Unidos", disse Steve Ellner, autor de "Repensando aPolítica Venezuela". "Chávez indicou desde o começo que as alianças com outrospaíses deveriam ir além das relações comerciais e deveriamincluir laços políticos e até militares." A expedição naval deste ano será o primeiro exercício russono Caribe desde o fim da Guerra Fria, e mostra como nos últimosanos os EUA perderam influência numa região do mundo antesvista como seu quintal. Como parte dessa nova configuração, e tentando evitar odestino de uma geração anterior de líderes esquerdistas,derrotados em golpes patrocinados pelos EUA, Chávez vem usandoo dinheiro do petróleo para renovar suas Forças Armadas econquistar simpatias políticas no mundo. Ele já comprou caças de última geração e negocia aaquisição de submarinos russos. A China já vendeu radares ecolabora com o lançamento de um satélite venezuelano decomunicações neste ano. Chávez considera a recriação da Quarta Frota dos EUA noAtlântico, extinta havia décadas, como uma provocação.

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