Anistia denuncia controles policiais racistas na Espanha

A Anistia Internacional denunciou nesta quarta-feira um tratamento racista da polícia espanhola ao realizar comprovações aleatórias de identidade nas ruas, segundo um informe da organização de direitos humanos apresentado em Madri.

REUTERS

14 de dezembro de 2011 | 16h30

O informe, intitulado "Parar o racismo, não as pessoas: Perfis raciais e controle da imigração na Espanha", pede que o governo deixe de ignorar uma realidade que já havia sido denunciada por coletivos sociais e que o Ministério do Interior tem negado.

"A polícia pode abordar pessoas que não 'parecem espanholas' para comprovar sua identidade até quatro vezes diárias. Pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar ou situação", disse Izza Leghtas, pesquisadora da Anistia Internacional sobre Espanha.

"Afeta pessoas estrangeiras e cidadãos espanhóis de minorias étnicas. Não apenas é discriminatória e ilegal, mas também alimenta os preconceitos, porque quem os presencia dão por certo que as vítimas participam em atividades ilícitas", acrescentou Leghtas.

A legislação espanhola permite que a polícia comprove a identidade de uma pessoa em vias ou espaços públicos quando existe preocupação com relação à segurança, como acontece quando se cometeu um crime em uma região em particular.

No entanto, segundo a Anistia, que segue esse tema desde 2009, os controles são feitos de forma deliberada e habitual com estrangeiros sem que exista nenhum motivo.

"Às vezes me param três ou quatro vezes no mesmo dia. Mostro a eles meus documentos, mas algumas vezes comprovam os dados para ver se são certos. Embora eu esteja no caminho para o trabalho e com pressa, eles não se importam, comprovam (os dados) de todas as formas. Me sinto muito mal ao ser parado assim, como se não fosse livre", disse Jahid, um imigrante de Bangladesh, no relatório.

A organização de defesa dos direitos humanos também cita um estudo da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia de 2008 com conclusões semelhantes em território espanhol, onde 12 por cento da população são imigrantes.

(Reportagem de Inmaculada Sanz)

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