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Antes da sentença, austríaco 'lamenta do fundo do coração'

Promotoria pede prisão perpétua para pai que prendeu e estuprou Elisabeth no porão por 24 anos

Agências internacionais,

19 de março de 2009 | 09h25

O austríaco Josef Fritzl disse nesta quinta-feira, 19, lamentar "do fundo do coração" ter trancado e estuprado a filha em um porão de sua casa durante 24 anos. No último dia do julgamento, a Promotoria pediu pela aplicação da prisão perpétua contra o réu de 73 anos. O júri do caso está reunido para deliberar sobre o veredicto, que deve sair ainda nesta quinta.

 

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Fritzl, que teve sete filhos com sua filha Elisabeth, declarou-se culpado dos crimes de incesto, estupro, cárcere privado e homicídio, por negligência, de um bebê nascido no cativeiro em 1996. "Não posso fazer mais nada a respeito (...). Lamento isso do fundo do meu coração o que fiz a minha família. Infelizmente, não posso desfazer o que fiz. Posso apenas tentar limitar o dano da melhor forma que puder", disse em suas declarações finais no julgamento. O advogado de Elisabeth disse que as declarações não pareceram sérias, sugerindo que Fritzl estava apenas buscando uma pena mais branda.

 

O juiz e os oito jurados se retiraram para deliberar o veredicto e a sentença, a serem divulgados provavelmente na tarde de quinta-feira (horário local). Pela lei austríaca, a confissão não basta para condenar alguém. Fritzl inicialmente se declarou inocente, mas na quarta-feira voltou atrás, depois de se emocionar ao assistir 11 horas de um depoimento em vídeo de Elisabeth, hoje com 43 anos. O advogado dele, Rudolf Mayer, confirmou relatos de que Elisabeth esteve na terça-feira incógnita no tribunal, e afirmou que seu cliente ficou "devastado" ao vê-la nas galerias durante a exibição do depoimento.

 

Fritzl admitiu ter encarcerado a filha em um cômodo construído para esse fim no subsolo da casa da família. Disse também que errou ao não procurar auxílio médico quando um dos seus filhos-netos, recém-nascido, desenvolveu um grave problema respiratório que levou à sua morte. Se for condenado por homicídio, a pena varia de dez anos à prisão perpétua.

 

Em sua exposição final, a promotora pediu a pena máxima prevista. Ela pediu ao júri que leve em consideração os 24 anos durante os quais Elisabeth Fritzl foi mantida em cárcere privado ao decidir quanto tempo o pai dela deveria passar na cadeia. Christiane Burkheiser disse que Fritzl reduziu a filha a "uma condição de total dependência e a tratava como sua propriedade".

 

O advogado de defesa de Fritzl não defendeu a inocência de seu cliente - ele chegou inclusive a mencionar durante o julgamento que o réu violentou sexualmente a filha cerca de 3 mil vezes. Mayer alegou, no entanto, que Fritzl foi perseguido por sentimentos de culpa ao longo dos últimos 24 anos e pediu ao júri que seja atencioso quanto à acusação de homicídio por negligência. "Na minha opinião, não foi o que aconteceu."

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