Antes dos bombardeios, Geórgia sofreu ataque virtual, diz NYT

Sites do país foram atacados antes do confronto armado com a Rússia começar, apontam especialistas

The New York Times,

14 de agosto de 2008 | 19h06

Semanas antes das bombas começarem a cair na Geórgia, um pesquisador em um subúrbio de Massachusetts observava um ataque contra o país no cyberespaço. Jose Nazario, da Arbor Networks em Lexington, percebeu a transmissão de dados direcionados aos sites do governo da Geórgia com a mensagem: "vencer+amor+na+Rússia."   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Outros especialistas em internet nos Estados Unidos disseram que os ataques contra a infra-estrutura da internet na Geórgia começaram em 20 de julho, com barramentos coordenados de milhões de pedidos - conhecidos como ataques de negação de serviço distribuído, ou D.D.O.S - que sobrecarregaram e derrubaram os servidores da Geórgia.   Pesquisadores do Shadowserver, um grupo voluntário que rastreia atividades maliciosas na rede, apontou que o site do presidente georgiano Mikheil Saakashvili ficou inoperável por 24 horas devido aos múltiplos ataques D.D.O.S. Segundo o Shadowserver, o comando e o servidor de controle que dirigiu ataques os ataques estariam nos Estados Unidos, e apareceram online várias semanas antes da operação militar ser iniciada.   Após o confronto entre Geórgia e Rússia ter começado, a ofensiva virtual de julho pode ter sido um ensaio para uma guerra virtual. De acordo com especialistas em internet, esse foi o primeiro cyberataque conhecido que coincidiu com um conflito armado.   Mas provavelmente não será o último, afirmou Bill Woodcock, diretor de pesquisa da Packet Clearing House, uma organização sem fins lucrativos que acompanha o tráfego da web. "Custa apenas 4 centavos por máquina", declarou Woodcock. "Você pode iniciar uma campanha de guerra virtual com o custo da reposição da banda de rodagem de um tanque. Seria tolo não fazê-la."   Não se sabe quem exatamente estava por trás do cyberataque. O governo georgiano culpou Moscou, mas o governo russo disse que não estava envolvido no incidente. No final, a Geórgia, com uma população de apenas 4,6 milhões e relativamente atrasada no mundo virtual, viu pouco efeito na inacessibilidade dos sites governamentais, que limitou a habilidade do governo em divulgar sua mensagem online e conectar-se com simpatizantes de todo planeta durante o confronto.   O país está em 74.º lugar em um ranking de 234 países em termos de endereços na internet, atrás da Nigéria, Bangladesh, Bolívia e El Salvador. O ataque virtual teve menos efeito no país do que poderia ter em nações mais dependentes da web, como Israel, Estônia ou Estados Unidos, onde os serviços vitais como transportes, energia e rede bancária estão ligados online.   Na Geórgia, a mídia, as companhias de transporte e comunicação também foram atacadas, de acordo com pesquisadores de segurança na rede. O grupo Shadowserver apontou que a ofensiva virtual se espalhou além dos computadores governamentais depois que as tropas russas entraram na província georgiana separatista de Ossétia do Sul.   Uma parte do site do Banco Nacional da Geórgia foi apagada. Imagens de ditadores do século 20 ao lado de líder georgiano foram colocadas na página.   "Isso pode ser de alguma forma uma ação indireta russa? Pode, mas considerando que a Rússia usa bombas reais, eles poderiam ter atacado alvos mais estratégicos ou ter eliminado infra-estrutura cinética", disse Gadi Evron, especialista de segurança da internet de Israel. "A natureza do que está acontecendo não é clara", conclui.

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaRússiaThe New York Times

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.