Ao lado de Bush, Brown anuncia sanções britânicas ao Irã

Premiê apóia propostas dos EUA e diz que ampliará tropas no Afeganistão e não retirará soldados do Iraque

Agências internacionais,

16 de junho de 2008 | 07h54

Em encontro com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nesta segunda-feira, 16, o premiê britânico Gordon Brown descartou a retirada de soldados britânicos do Iraque, aprovou o envio adicional de militares para o Afeganistão e o aumento das sanções britânicas contra o Irã, como o congelamento dos ativos estrangeiros do mais importante banco iraniano.   Veja também:   Após anúncio, Irã retira da Europa US$ 75 bi em reservas   Bush insiste em que fez 'o correto' ao derrubar Saddam Hussein   O presidente americano, George W. Bush, chegou no domingo ao Reino Unido com a missão de dissuadir o premiê Gordon Brown de estabelecer um cronograma de retirada de soldados do Iraque. Em sua última viagem à Europa antes de deixar a Casa Branca, o presidente buscou angariar apoio para os conflitos no Oriente Médio, no Afeganistão e principalmente contra o programa nuclear iraniano.    Brown alertou o Irã de que a Europa está preparada para intensificar as sanções caso o país não responda às ofertas de parceria e diálogo oferecidas em troca do fim do programa nuclear. "Faremos o possível para manter o diálogo, mas está claro que se o Irã continuar a ignorar nossas resoluções e ofertas de parceria, não teremos outra opção senão intensificar as sanções", disse.   "O Reino Unido convocará (nesta segunda) a Europa, e a Europa concordará com a aplicação das sanções contra o Irã", disse Brown, acrescentando que o Reino Unido pedirá que os ativos do banco Melhi, a maior instituição financeira iraniana, sejam congelados no exterior. "As ações irão começar hoje, em uma nova fase de sanções sobre petróleo e gás. Iremos tomar qualquer ação necessária para que o Irã esteja ciente da escolha que precisa fazer."   Nesta segunda, Bush voltou a advertir Teerã de que não descarta o uso da força para obrigar o país a suspender o seu projeto atômico, sempre reforçando que ainda espera resolver o impasse pela via diplomática. "Todas as opções estão abertas", disse o presidente em entrevista coletiva com o premiê britânico.   Após o encontro, Brown anunciou que o Reino Unido elevará o número de soldados no conflito afegão "nos níveis mais altos". O premiê justificou o aumento de tropas no Afeganistão afirmando que o Reino Unido quer preparar os afegãos para que eles se defendam.   Mais tarde, o ministro da Defesa britânico, Des Browne, confirmou diante da Câmara dos Comuns o envio de mais 230 soldados para o Afeganistão, além dos 8 mil que já estão no país. Entre os militares estão engenheiros, especialistas em logística e treinamento.   O primeiro-ministro do Reino Unido descartou ainda uma retirada das tropas britânicas do Iraque, pois ainda "resta trabalho a ser feito e não se podem impor calendários artificiais".   O presidente americano desqualificou notícias segundo as quais ele e Brown discordariam com relação ao Iraque, de onde o Reino Unido retirou soldados. "Não vejo problema na forma com a qual Gordon Brown lida com o Iraque", assegurou Bush. "Ele tem sido um bom parceiro.   Os dois líderes - ambos enfraquecidos e com baixos índices internos de aprovação - trocaram elogios e enfatizaram posições comuns com relação a outros temas internacionais, como Zimbábue, Mianmar, Darfur e o impasse na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).   O presidente americano, que tomou café da manhã com o ex-primeiro-ministro Tony Blair, enviado especial da União Européia para o Oriente Médio, conclui a viagem de despedida da Europa em Belfast, Irlanda do Norte. Bush e Brown ainda se reúnem com o chefe de governo irlandês, Brian Cowen, que acaba de ser derrotado no referendo irlandês que rechaçou o Tratado de Lisboa, uma espécie de Constituição para o bloco europeu.   Matéria atualizada às 12h15.

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