Apesar de calma, estudantes se reúnem para marcha em Atenas

Manifestação está planejada para o mesmo dia em que relatório balístico sobre a morte do jovem será divulgado

Agências internacionais ,

12 de dezembro de 2008 | 09h23

Alunos do ensino médio se reuniram em Atenas para uma manifestação e estudantes ocuparam prédios universitários nesta sexta-feira, 12. Ainda assim, a capital grega estava calma após seis dias de violência que fizeram balançar o governo conservador do país.   Veja também: Gilles Lapouge: Política arcaica imobiliza Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos  A imprensa local informou esta manhã que as autoridades se mantêm em alerta à espera das reações pelo relatório balístico que será divulgado nesta sexta e que poderia esclarecer se o agente disparou contra o jovem ou se - como sustenta - a morte aconteceu pelo rebote de uma bala. Centenas de carros, bancos e estabelecimentos comerciais foram depredados nos protestos, deflagrados pela morte de um adolescente baleado pela polícia em 6 de dezembro, o que fez os jovens gregos expressarem sua raiva com a alta do desemprego, os baixos salários e uma série de escândalos políticos. Estudantes e professores convocaram uma manifestação para o meio-dia no centro de Atenas contra a morte de Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos. Mas, com a ferocidade dos protestos parecendo diminuir, os gregos mostravam frustração com a apatia do governo. Cerca de 80 estudantes ocuparam pacificamente a emissora Flash Radio, leram um comunicado no ar e tocaram músicas por cerca de meia hora. O primeiro-ministro Costas Karamanlis, cujo partido Nova Democracia tem maioria de apenas um assento no Parlamento e cuja taxa de popularidade tem despencado, dará uma entrevista coletiva ainda na sexta-feira em Bruxelas, onde participa de um encontro da União Européia.   Protestos na Europa   Os distúrbios na Grécia deram os primeiros sinais de que a violência está se expandindo para outros países da região. Desde o início da semana, jovens realizaram protestos na Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Reino Unido, Itália e Rússia para apoiar as manifestações que tomaram conta de mais de dez cidades gregas. Algumas das manifestações parecem ter sido organizadas pela internet. O site no qual os manifestantes gregos atualizam suas reivindicações ganhou simpatizantes em cerca de 20 países.   Bancos, lojas e delegacias de polícia foram destruídas em Barcelona e Madri na noite de quarta-feira. Pelo menos 9 pessoas ficaram feridas e outras 11 foram detidas. Em Copenhague, manifestantes arremessaram garrafas e tinta contra policiais no centro da cidade em um protesto que terminou com a prisão de 63 pessoas.   Em Roma, um grupo concentrou-se na frente da embaixada grega, danificando carros da polícia e colocando fogo em outro veículo. Já na França, manifestantes incendiaram dois automóveis e uma lata de lixo na frente do consulado grego em Bordeaux, além de pichar o prédio da missão com ameaças de mais protestos.   Em Berlim, mais de 15 pessoas ocuparam o consulado grego, carregando cartazes que culpavam o governo de Atenas pela morte do adolescente. Outro protesto atraiu cerca de 100 pessoas em Frankfurt.   Segundo as autoridades, os incidentes registrados na região até agora são isolados, mas existe a preocupação de que os distúrbios na Grécia possam ser o ponto de partida para outros protestos de grupos contra a globalização e a crise financeira mundial."O que está ocorrendo na Grécia tende a provar que a extrema esquerda existe", afirmou Gerard Gachet, porta-voz do Ministério do Interior francês. "Neste momento, não podemos ir muito além com nossas conclusões e dizer que há um risco de contágio da situação grega na França, mas tudo está sendo observado."

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